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O trabalho voluntário:
uma
questão contemporânea
e um espaço para o aposentado
Maria
Cristina Dal Rio parte do pressuposto de que as relações
sociais, no Brasil, são construídas a partir das relações de
trabalho. Segundo ela, “aposentar e envelhecer significa
voltar para o mundo privado, não ter visibilidade e ficar com
a sociabilidade restrita”. No entanto, quando as pessoas
resolvem buscar formas alternativas de integração social,
surgem transformações e uma delas, como Dal Rio demonstra em
sua obra - resultado de sua pesquisa de dissertação de
mestrado defendida no Programa de Gerontologia da PUC-SP -, é
o envolvimento com o trabalho voluntário. A maioria dos seus
entrevistados - pessoas que continuaram ativas depois da
aposentadoria, percorrendo diversos caminhos e descobrindo
novas possibilidades - assinala que o trabalho solidário
colabora para dar sentido à existência. Para a autora, o
voluntariado “constitui-se em uma das fontes de reconhecimento
e valorização que sustentam suas vidas, nas quais o trabalho
remunerado teve papel fundamental e gratificante. O tempo do
pós-trabalho apenas acentuou o altruísmo e a dimensão do
trabalho para o outro, sedimentado em valores de solidariedade
e religiosidade, traduzidos em uma atitude pró-ativa frente às
questões sociais”. Nesse sentido o trabalho voluntário
contribui “para que sejam repensados quaisquer preconceitos e
estereótipos que envolvem as condições de aposentado e velho,
ajudando a desenhar umas das formas de viver o pós-trabalho e
a velhice, dando-lhes significado”.
Homem-aposentadoria-trabalho voluntário
Por Suzana A.
Rocha Medeiros
– geronto@pucsp.br
A busca do
pleno entendimento sobre trabalho voluntário e aposentadoria e
sua conexão é a temática desta obra. Há poucas décadas o
trabalhador ansiava pela aposentadoria, momento de realizar
sonhos e finalmente usufruir o que levou uma vida inteira para
conquistar, sobretudo apropriando-se de algo precioso neste
início de século: o tempo. Porém, o papel que o trabalho vem
assumindo como fator determinante de importância social e
individual representa uma mudança sem par e exige do
trabalhador identificação tão intensa que é a partir dele que
irá construir significado para sua vida. Quando se aposenta, o
indivíduo vê-se diante de um profundo vazio, tornando-se
incapaz de criar um novo sentido nesta etapa. E freqüentemente
é considerado improdutivo e um peso para a sociedade.
O trabalho
voluntário, atividade que a princípio era compreendida como
atividade não remunerada de caráter social e criativo, no
final do século XX ganha nova conotação, passa a ser também um
canal de exercício de cidadania e responsabilidade social e
abre novas perspectivas para os aposentados, pois sua prática
não só representa a possibilidade de continuar exercendo um
trabalho relevante, além de multiplicador de relações sociais
dele decorrentes, como também provoca um sentimento de bem
estar e de participação na vida.
Idosos e
aposentados que enfrentaram esse momento, que se mantiveram
ativos exercendo trabalho voluntário durante seu processo de
envelhecimento e que conseguiram se manter em sintonia com o
mundo são os focos do presente trabalho (Senac, 2004), em que
Maria Cristina Dal Rio analisa minuciosamente os delicados
aspectos contidos na relação homem-aposentadoria-trabalho
voluntário.
As reflexões
da autora são pistas importantes para aqueles que trabalham
com o envelhecimento ou que estão vivendo esse período da sua
existência.
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