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Velhice nos arredores da morte
Esta leitura nos leva a pacientes idosos pobres que,
anteriormente ao adoecimento, já sofriam os efeitos de uma
velhice confundida com negatividade. A esclerose lateral
amiotrófica vem radicalizar os sentimentos de agravo ao ideal
do ego, pela força com que acentua o que é considerado
negativo no corpo envelhecido, como incapacidades e feiúra.
Os familiares são convidados a uma reflexão para se pensarem
nas vicissitudes da relação do cuidado na aproximação da
morte, o que os leva a também se pensarem na perspectiva da
sua própria finitude.
Todo o texto é permeado por uma interpelação que afronta o
hedonismo circulante no ideal consumista, corruptor dos
valores de empenho e renuncia próprios da construção da
solidariedade para os que vêem, desaparecidos do corpo,
movimento e fala. Contudo, faíscam os olhos, últimos
sobreviventes da devastação de uma doença que não consegue
impedi-los de falar e movimentar-se à espera da nossa
compreensão. E as perguntas insistem: que vida é essa,
adoecida e velha, já nos arredores da morte, que nos
disponibilizamos para valorizar e cuidar? Que argumentos
necessitamos construir para nos posicionar a favor da vida
desses velhos? E por que, neste caso, argumentar é preciso?
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