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Economia Solidária: O protagonismo da pessoa idosa
Atualmente nos deparamos com um fenômeno mundial: a longevidade humana. Os avanços da medicina preventiva, da biotecnologia, a adoção de hábitos alimentares e comportamentais eleva a expectativa média de vida das populações. No Brasil este aumento populacional segue em ritmo acelerado, o que provoca impacto social, cultural e econômico na vida brasileira. A nação segue despreparada, com políticas públicas insuficientes, desigualdades sociais, exclusão social, aposentadorias contributivas irrisórias e o agravo com o abandono do compromisso de progresso econômico durante os últimos 25 anos que trouxe conseqüências graves para quem ingressa no mundo do trabalho e para quem hoje prematuramente dele se afasta.
Milhares de aposentados continuam trabalhando pela necessidade de aumento de renda e por serem arrimos de família: protegem e dão sustentáculos aos filhos, netos e agregados. Muitos municípios brasileiros dependem destes parcos recursos e giram sua economia através de aposentadorias e pensões dos mais velhos. Esta situação torna-se mais precária na medida em que a idade avança e com as exigências da modernidade, ou seja, a escolaridade e as barreiras do avanço tecnológico, exigidos no mercado de trabalho.
O que nos faz repensar ações alternativas para que este sujeito idoso não esteja despreparado, ultrapassado e conseqüentemente marginalizado da vida civil, política e produtiva da nação.
Países desenvolvidos sabem utilizar a mão-de-obra idosa com olhar real e potencial à sua capacidade. São pessoas capazes de criar a sua própria autonomia à medida que se adaptam às novas possibilidades do tempo e de mercado.
Pensando em todos esses aspectos, o Instituto LaborIdade - Instituo de Estudos, Formação e Assessoria em Políticas do Envelhecimento, desenvolve e apóia projetos de geração de renda, qualificação de produtos artesanais e de empreendedorismo.
Colaborar para que a pessoa idosa reveja sua trajetória profissional, tenha oportunidade de outras escolhas ocupacionais, trabalho criativo, associando renda e prazer. Este “novo” trabalho busca nos princípios da Economia Solidária a natureza comunitária que organiza a autogestão, consolida a rede de economia popular, efetiva ações de distribuição de riquezas, fortalece o cultivo de novas relações humanas, participação e convivência, e o cuidado com a natureza.
O Instituto LaborIdade no projeto de Economia Solidária, LaborArte, consolida a participação do idoso no mundo do trabalho, efetiva parceiros como: Cáritas, UNICID –Universidade Cidade de São Paulo, Shopping Plaza Chic, e o Fórum do Cidadão Idoso da Região Leste. Compõe o quadro profissional uma coordenação geral e equipe técnica multidisciplinar: assistente social, artista plástico e consultores na área especifica em economia solidária, designer e publicidade. As ações protagonistas são vivenciadas durante todo o processo e compreende as seguintes etapas:
I - Curso de Formação de Multiplicadores em Economia Solidária - Estamos realizando o II Curso de Formação, com duração de 75 horas, destinado a 40 participantes: idosos artesãos, lideranças idosas, gestores sociais e atores interessados. Cerca de 20% das vagas são destinada ao público jovem e adulto, na perspectiva do trabalho também ser intergeracional. O Curso compreende conteúdo em: - Formação específica em Economia Solidária - Formação Humana - Formação Política - Formação Artística Contamos com professores para cada área e coordenador de curso.
II - Pré-incubação Realizamos esta etapa na Loja Social, compreende exercícios práticos de empreendedorismo, definição de produtos, práticas associativistas. A Loja Social é um espaço de vivência e de trabalho, as tarefas são realizadas em grupos, objetivando a qualificação do trabalho artesanal, a solidariedade e o fortalecimento de vínculos afetivos. Para a qualificação dos produtos temos a consultoria de uma designer que estimula o potencial criativo do grupo, transforma suas habilidades em novas idéias e novos produtos. A consultoria é realizada semanalmente para dois grupos de 15 pessoas.
Os participantes do projeto, considerando a Loja Social como ponto comercial, chegaram ao consenso de mantê-la em funcionamento no horário comercial. Assim compôs uma escala de “plantão”, onde cada artesão dedica um período da semana para venda de todos os produtos da loja. Para tanto foi criado mecanismos de controle de estoque e financeiro. O grupo de artesãos define também um fundo de 10% do total das vendas para constituir independência e autonomia financeira. Questão que será também trabalhada nas fases posteriores.
III – Incubação Essência de todo o conhecimento e aprendizagem configura-se em auto-gestão, viabilidade econômica e preparação para a formação de empreendimentos. O projeto caminha para esta etapa nos próximos 6 meses. Está previsto acompanhamento técnico, através de parcerias com instituições educacionais, criando um espaço de referência e apoio em diversas áreas, como: jurídica, administrativa, comunicação, contábil, alfabetização e inclusão digital.
IV- Pós-incubação Compreende assessoria e acompanhamento técnico ao grupo nos processos produtivos, de gestão coletiva, e monitoria em seu desenvolvimento autônomo. Esta fase compreende acompanhamento por um ano e em momentos de necessidade.
Todas estas etapas, desde o ciclo de Formação até Pós-Incubação se constitui, portanto, em metodologia que vem sendo aprimorada pelos profissionais do Instituto Laboridade e idosos da comunidade, numa iniciativa inovadora para este segmento populacional. Considera que o Projeto LaborArte firma-se como gerador de renda, através de processo sócio-educativo, que garante acesso de pessoas e grupos aos conceitos e princípios da Economia Solidária, desenvolve a cultura de solidariedade e de cooperação, reforça valores humanos, éticos e de respeito a natureza, base estrutural para se efetivar transformações na sociedade.
Reflexões sobre a Economia Solidária[1]
Conceito de Economia Solidária No sentido amplo, Economia Solidária agrupa e congrega o conjunto de iniciativas econômicas privadas (autônomas em relação ao Estado) que apostam mais no interesse coletivo e na solidariedade que na busca do lucro. Portanto, é um instrumento a serviço da liberdade e da dignidade humana.
Desenvolvimento Histórico A Economia Solidária surge no séc. XIX na América do Norte e na Europa. A primeira geração foi constituída por pequenos produtores agrícolas, pelos operários de baixa renda movidos pela necessidade de se organizarem diante das precárias condições de vida e diante do movimento de mercantilização cada vez mais difícil e tirano.
No pós-guerra e até os anos 70 o movimento operário, dentro das unidades sindicais, organizou as empresas de economia social, cooperativas de consumo, poupança e crédito, por meio do auxílio mútuo associado à mobilização social. A partir de 1.970, sob o impulso de novas demandas sociais e fruto de novos movimentos sociais, surge com ênfase a economia solidária.
As iniciativas procuram responder às novas necessidades decorrentes da globalização como a flexibilização do trabalho e das dificuldades da previdência social. Problemas aos quais nem o mercado nem a ação pública podem resolver de modo satisfatório diante dos graves desafios de desemprego estrutural, da exclusão social e do reduzido tamanho e funções do Estado (principalmente na Europa e nos países em desenvolvimento).
As iniciativas ou empresas de Economia Solidária representam no decorrer das várias décadas pequenas, mas ativas sociedades de socorro mútuo, uma prefiguração da previdência coletiva e seguridade social.
Finalidades a) contribuir para democratização da economia pela transformação de necessidades coletivas em demandas sociais; ou seja, transformar os problemas em projetos coletivos, reformulando com isso a noção de interesse geral (Bouchard, 2000). b) efetivar formas inéditas de parcerias público/privado ensejando proteção social pluralista (Evers, 2000). c) desenvolver a cidadania da sociedade civil (Demonstier, 2001). d) fomentar a criação de redes de solidariedade e novas forças de cooperação entre regiões (Favreau, 1999).
Tem também a finalidade de designar práticas que contribuem para rearticular o econômico com as outras esferas da sociedade, na perspectiva de uma sociedade mais democrática e igualitária. Ela atua no sentido de dinamizar diferentes ramos de ação: na produção e comercialização coletiva (agrupamento de produtores, artesãos de comércio eqüitativo) de moradia coletiva cooperativa de autoconstrução, de poupança e crédito (microcrédito ou crédito solidário) nas trocas não monetárias (redes de trocas solidária, ausência de moeda como o exemplo da Feira de Cáritas) na segurança alimentar (cozinhas coletivas) novos serviços ou adaptação dos serviços existentes (cuidado com crianças, idosos, cultura e lazer).
Metodologia a) reconhecer, difundir e exercitar práticas de reciprocidade; b) combinar dinâmica de iniciativas e gestão privadas, centrada não no lucro, mas no interesse coletivo; c) dar a finalidade econômica (produção e renda) um meio de vivência produzindo vínculos sociais e solidariedade, não uma solidariedade abstrata e institucionalizada, mas uma solidariedade de proximidade (no âmbito do território e no sentido de rede) de auxílio mútuo e reciprocidade.
Assistente Social, Cursos diversos vinculados a atuação como profissional do Serviço Social, na área da assistência social, da saúde, da cultura, com especialização em Gerontologia, diretora do Instituto LaborIdade - Instituo de Estudos, Formação e Assessoria em Políticas do Envelhecimento. E-mail: laboridade@uol.com.br.
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