Trabalho e Velhice

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O trabalho vem sendo desde o início do século XX difundido como um dos princípios organizadores da vida social. Por isso a identidade profissional passou a ser significativa e determinante do lugar da pessoa na sociedade. Mas com a idade, as possibilidades de trabalho remunerado são muito reduzidas. Mesmo empregado, o fantasma da aposentadoria persegue o indivíduo, pois junto com ela,  há a perda do status profissional, a redução de renda, mudança de hábitos, sentimentos de desqualificação e impotência, etc.  

Uma vez aposentados, muitos(as) idosos(as) exercem diferentes papéis, seja no seio da família como contadores de histórias, cuidadores, motoristas e tantos outros; seja na sociedade, atuando em suas comunidades, paróquias, junto a vizinhos ou mesmo a familiares adultos, trabalhando gratuitamente na solução de problemas e construção de melhor qualidade de vida para muitos. Outros ainda trabalham em cooperativas ou então se lançam como novos empreendedores.

 

Estes tantos outros projetos fazem parte da vida das pessoas. Remunerado ou não, o trabalho faz parte da velhice, e como tal deve ser repensado desde já enquanto projeto de vida. É disso que este Portal Fórum sobre Trabalho e velhice trata. Sabemos da existências de diversos modos de se vivenciar o trabalho nesta etapa da vida e por isso convidados todos os usuários a entrarem neste debate, acrescentando, refletindo ou simplesmente trocando experiências...

O fórum está a aberto!

 

Regina Pilar Galhego Arantes
moderadora


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ao final de cada um deles. Boa leitura!

 

Regina Pilar Galhego Arantes
Trabalho e projetos de vida no envelhecer

Maria Cristina Dal Rio
Trabalho solidário: um sentido para a
existência na aposentadoria e na velhice

Viviam Cristina Herrero Lemos
Qual o Valor do Trabalho Não Remunerado realizado
por pessoas maiores de 60 anos?

Wanda Pereira Patrocinio
Envelhecimento e trabalho dentro de cooperativas populares

Maria Cecília Teodoro Sanches
Economia Solidária: O protagonismo da pessoa idosa

Andréa Poscai
Geração de renda na terceira idade

Espaço do Usuário
 

Sebastião A. Baracho comenta:

Viviam,

O seu texto é excelente e fidedigno com a realidade atual, em que pesam o valor do trabalho em uma balança desigual, ou seja: um trabalho bem feito pelos jovens pesa mais no conceito do que iguais misteres efetuados por um idoso, mesmo com a resultante equiparada e, ainda dizem por aí, que discriminação é assunto racial. Aprendi muito com os meus avós, apesar da distância que havia entre nós, o que transformava a convivência relativa, entretanto, eles tinham muito a me ensinar: "Escolha os seus amigos sendo o pior dentre eles para aprender!", "Antes o pouco do que o nada!", "O caminho mais curto nem sempre é o ideal!", etc. Eu não tenho o dom do compartilhamento... Arredio mesmo! A minha única forma de tentar ajudar é escrevendo poemas, textos e livros e os enviando por e-mail. Não tenho sobras financeiras, contudo, o salário (soldo) que recebo do Estado me dá autonomia aceitável sem sobras para pagar parcerias a fim de editar os meus 18 livros. Dessa forma, vou DECOMPONDO-OS em textos que envio a quem os pedir por e-mail. Aposentado há vinte anos, afastei-me das bebidas alcoólicas, dos bancos de jardins e dos bares e me abracei a um computador a escrever e escrever, sempre criando! Todavia, me esbarrei nas famigeradas parcerias pedidas pelas editoras e, não tendo dinheiro nem querendo vender idéias com pagamentos antecipados, estou doando os meus livros. Contudo, eles me deram outro alento para viver e me CURARAM dos tremores das mãos (talvez "LER") e do estresse. Portanto, o valor do meu trabalho literato de um mero escrevinhador já me pagou regiamente e fisicamente, além disso, e, por isso, tenho textos publicados em vários sites (Portal do Envelhecimento/Jornal A Página de Portugal/ Shvoong/ Câmara Brasileira de Jovens Escritores/ Giraldo/ Portugalvirtual e outros. Pedindo desculpas pela prolixidade e pelos lamentos, me coloco ao seu dispor... (Quer um livro meu?). Um abraço virtual, porém... Sincero!

Viviam Cristina Herrero Lemos

Caro Sebastião,

Fico feliz que lhe tenha parecido oportuno o tema que colocamos para reflexão e espero que consiga benefícios saudáveis trabalhando com as palavras. Agradeço pelo livro oferecido e aguardo endereço para retirada. Um abraço.

Áurea Soares comenta:

Nas oficinas de geração de renda que vocês promovem para idosos de baixa renda, eles têm outras motivações, além da possibilidade de receber recurso financeiro?

Andréa Poscai

A Casa de Simeão, como mencionei, é um projeto da Associação Reciclazaro e tem como objetivo principal, o resgate da auto-estima, e acima de tudo, a re-inserção dessas pessoas na sociedade. Eles têm um tempo de permanência de até dezoito meses. Porém, na prática, acabam ficando por mais tempo. Temos alguns casos de idosos que chegaram na Casa sem o contato com a família ou com os vínculos rompidos mesmo e através do estímulo e muita conversa conseguimos reaproximá-los. Também temos idosos já com idade bem avançada que perdeu a autonomia, nesses casos, encaminhamos para Instituições de Longa Permanência (o que é bem difícil conseguir gratuidade). Sabemos que os idosos já sofrem o preconceito devido à idade, quando são idosos ex-moradores de rua, sem família ou sem o vínculo familiar, sem moradia, a situação é ainda mais difícil. Através de atividades sócio-educativas, procuramos ampliar o universo de conhecimento e a possibilidade de refletir e contextualizar sua trajetória na perspectiva de novas escolhas e possibilidades.No momento a Instituição realiza, em outro albergue, um Núcleo Produtivo, onde também encaminhamos nossos idosos, que ensina, produz e a própria Reciclazaro se encarrega de sair em busca de parceiros para venda dos produtos. Com a Secretaria de Assistência e Desenvolvimento Social, temos a parceria e dentro da Loja Social, nossos atendidos vendem seus produtos. Também temos outras parcerias com outras ONG´s e através da RUARTE (união de várias ONG´s que expõe os produtos em Hotéis, Shoppings e outros locais)onde os próprios artesãos vendem seus produtos. Espero ter respondido a sua pergunta. Um abraço.

Maria Cecília Teodoro Sanches

O projeto realiza várias ações além da geração de renda para os idosos, como curso de capacitação com várias formações e a oficina LaborArte, onde suas habilidades criativas são passadas para outras gerações, estabelecendo vínculos e transmissão de valores humanísticos e solidários. O ganho, portanto, atinge esferas da sobrevivência do cotidiano e da alma humana. Um grande abraço.

Érica Guedes comenta:

Ótimo artigo, cara Andréa. Você é a prova de que a dedicação e o comprometimento fundamentam qualquer trabalho social.

Andréa Poscai

Obrigada Érica, acredito que tudo que é feito com amor só pode dar certo! Um Abraço.

Irene Gaeta comenta:

Vivian,

Penso que no futuro poderemos ter um movimento exatamente contrário. Os velhos poderão ser detentores do saber, e com sua visão critica, produtores do conhecimento, artes, enfim... uma nova geração, uma nova cultura, onde haja possibilidade de crescer. Afinal, com a longevidade, ter sessenta anos é estar ainda jovem... Com sua visão técnica de economista, será que chegaremos neste ponto? mudaremos nossa cultura? nossa visão distorcida da realidade?

Viviam Cristina Herrero Lemos

Olá Irene,

Pensando com cabeça de economista, diria que o critério de valorização estará sempre vinculado ao modelo sócio-econômico predominante. O atual trabalho tido como doméstico feito por nós, não envolvendo remuneração, não é considerado produtivo pelo sistema vigente, o que de alguma forma compromete o valor que a sociedade atribui a essas atividades, afinal produtividade é base fundamental do capitalismo. Infelizmente vejo mudanças muito lentas em torno das regras que regem o capital. No entanto, acredito na nossa capacidade como ser humano de buscar o melhor para nós, e concordando com sua observação, a longevidade é um fato e encontraremos novos arranjos e significados para viver melhor tal conquista. Podemos considerar, por exemplo, que antes de pensar na idade ou no jeito de fazer daquele que cuida do neto ou do aposentado que resolve problemas administrativos dos filhos, olhemos para a contribuição dada por esses pessoas, enquanto "fazedores" que são (ou que seremos.....). Um abraço.

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