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Dorli Kamkhagi
Reflexões
sobre
um
trabalho
de
psicoterapia
de
grupo
com
pessoas
acima
de 55anos
O envelhecimento é
percebido
pelo
próprio
indivíduo
como
um
movimento
no
qual
todos
os
passos
o levam a sentir-se vivendo
em
um
estado
de
não
pertencimento. Os
sinais
concretos
disso
são
nítidos:
algumas de
suas
antigas
referências
vão
desaparecendo aos
poucos;
o
sujeito
passa
a
não
pertencer
a
um
determinado
grupo.
Ou
lhe
é exigido
que
deixe de
exercer
uma
determinada
função
social
ou
familiar;
as próprias transformações vividas confirmam essa
sensação
permanente
de
vivenciar
perdas.
Para
algumas
pessoas,
o
processo
de envelhecimento provoca
fortes
sentimentos
de
não
mais
fazer
parte
de
um
universo
que
o reconheça
como
um
indivíduo
que
tenha
valor.
A
própria
vivência
de
ser
aposentado destitui o
indivíduo,
por
exemplo,
de
um
certo
grau
de
dignidade.
O
trabalho
com
o
grupo
de amadurecimento (escolhi
este
termo
pois
o
mesmo
implica num
processo
reflexivo,
ao
contrário
de
um
envelhecimento cronificado,
ou
seja,
sem
um
espaço
de
elaboração)
juntamente
com
uma
equipe
formada
por
um
psiquiatra
e
outros
psicólogos,
permite-nos
exercer
uma
prática
clínica
em
grupo,
elaborando o
processo
de transformação.
Esta
atividade
acontece no
Departamento
de
Psicoterapia
da
Psiquiatria
do
Hospital
das
Clínicas
de
São
Paulo, voltado
para
uma
população
formada
por
pessoas
acima
se 55
anos,
oriundas de uma
classe
média
empobrecida,
que
dispõem de
poucos
recursos
econômicos.
Estas
pessoa
que
procuraram
este
serviço
sentiam a
necessidade
de
um
outro
olhar,
de uma
outra
escuta
que
as permitissem
ter
diferentes
ressignificações de
suas
necessidades.
Alguns
nos
procuraram
por
não
conseguirem
novas
recolocações
no
mercado
de
trabalho.
Outras haviam perdido
pessoas
muito
importantes
em
suas
vidas
(marido-filhos). E algumas traziam o
sentimento
de sentirem-se excluídas e
muito
sozinhas.
Comecei a
perceber
o
quanto
era
importante
para
as
pessoas
que
estavam vivendo
este
momento
do
envelhecer
poderem se
beneficiar
de uma
escuta
terapêutica.
No
envelhecer
ocorre uma
percepção
de
que
muitas das antigas
representações
da
vida
se desconstroem, fazendo
com
que
o
sujeito
viva
uma
forte
sensação
de
angústia.
No
instante
em
que
a
pessoa
se
vê
perdendo
espaços
que
foram
fundamentais
na
constituição
de
sua
identidade
vivencia
um
sentimento
de desestruturação, muitas
vezes
experimentado
como
perda
da
própria
vida.
Há uma
sensação
de incompletude
quando
os
modelos
impostos
pela
sociedade
começam a
desmoronar.
Esse
trabalho,
em
conjunto
com
o Dr Luiz Cushnir, iniciou-se
em
2002, e teve
como
foco
principal
ser
uma possibilidade de pensarmos
em
novas
articulações
no
momento
do
envelhecer.
Os
grupos
têm
duração
de
fevereiro
a
dezembro,
com
1h30
minutos
em
cada
encontro.
O
vínculo
terapêutico
é o
espaço
que
permite
que
antigas
vivências
possam se reatualizarem
em
um
processo
de transformação e de reconciliação de
antigos
conflitos.
Dorli Kamkhagi
Psicanalista,
mestre
em
gerontologia.
Terapeuta
de casal -
Terapeuta
de
grupo
e
doutoranda
em
psicologia
Clínica
PUCSP.
E-mail:
kamkhagi@terra.com.br
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