Relação profissional de saúde e paciente idoso

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O Portal Fórum deste mês trata de um tema crucial para a Gerontologia. Se por um lado observamos o deslocamento de responsabilidades de gestão da saúde para o ambiente privado e individual e que a partir disso obriga a necessidade de uma gestão compartilhada da velhice; por outro, o pilar para o sucesso da adesão ao tratamento continua sendo a relação médico-paciente, muitas vezes, senão a maioria, impessoal e desumanizada. Mas uma experiência trabalhada por uma equipe mostra que é possível outras alternativas. 

Já para os que praticam a Gerontologia e que tratam idosos com incapacidades físicas crônicas, especialmente em Unidade de Terapia Intensiva (UTI), não se limitam a lutar contra a enfermidade, mas também contra os efeitos colaterais de seus tratamentos, questionando-os em relação à própria condição humana. 

No Brasil, a Fisioterapia, por exemplo, tem tido uma evolução lenta e difícil, devido, principalmente, às peculiaridades próprias do meio em que se desenvolve, especialmente em UTI. Os conhecimentos avançam rapidamente, à exceção de eventos científicos, pois atualmente os estudos sobre as doenças crônicas que trazem lesões incapacitantes não têm esclarecimentos sobre seus prognósticos e tratamentos quando o idoso torna-se crítico e necessita de terapia intensiva.  

Estes temas são abordados neste Portal Fórum. Esperamos que os usuários (profissionais, professores, pesquisadores e os próprios idosos) possam se manifestar, expondo suas reflexões, críticas ou simplesmente opinando, ampliando, assim, o debate sobre a relação profissional de saúde e paciente idoso. O debate está aberto. Participem. Sua voz é importante para a Gerontologia! 

Bernadete Oliveira
Moderadora

Ângela Maria Machado de Lima
Saúde e envelhecimento: A gestão do cuidado como
responsabilidade social

Maria Socorro Timbó Mendes
Relação médico – paciente/idoso

Bernadete Oliveira
UTI, Fisioterapia e Idoso

Fernando Antônio T. Juliani 
Saúde Bucal para o idoso, dilemas do programa:
Breves reflexões

Dorli Kamkhagi
Reflexões
sobre um trabalho de psicoterapia de grupo
com
pessoas acima de 55
anos

Espaço do Usuário

Dr. João comenta:

Realmente a situação de não pertencimento é cada vez mais presente nos idosos. E que bom que existam profissionais trabalhando com a finalidade de fazer com que antigas representações se construam

 Dorli Kamkhagi 

Caro João,

Fico contente de perceber que cada vez mais pessoas como você estão atentas a todo este processo de exclusão. Como devemos fazer? Que políticas de cuidados devemos adotar? Quais as nossas responsabilidades? Me parece que as perguntas são enormes, porém temos que rever os nossos estereótipos "caducos" que ainda atuam e repensar muita coisa.

Obrigado

Dr. João comenta:

Que bom se realmente houvesse uma gestão compartilhada da velhice. Pode ser difícil, porém não é impossível se cada um em sua instância fizer a sua parte. Um sonho? Pode ser. Mas um sonho possível de ser realizado!

 Ângela Maria Machado de Lima 

Dr. João,

A gestão compartilhada da velhice é ao mesmo tempo uma idéia reguladora (se quisermos um princípio ético-político ou sonho em termos mais afetivos), mas também é algo que já acontece em alguns serviços de saúde tais como o CSE Samuel B. Pessoa - FMUSP. O que advogo no artigo que enviei é que precisamos expandir a possibilidade da responsabilização social pela velhice em nosso país.

Antônio Alves comenta:

Parabéns pela excelência dos artigos. É de continuar a partilhar com os demais, só dessa troca de saberes podemos ajudar os outros!

Com amizade

Aceitem os meus melhores cumprimentos.

 Dorli Kamkhagi 

Acho muito importante todas as manifestações de apoio ao nosso trabalho na busca de um lugar (espaço de dignidade) ao indivíduo que envelhece . Parabéns a todos nós!

Bernadete de Oliveira 

Agradeço a atenção e carinho com os quais abordou este fórum. É muito bom contribuir, principalmente com o bem-estar do próximo. Parabéns!

 Ângela Maria Machado de Lima 

Antônio, agradeço pela parte que me toca no elogio e gostaria de incentivar o diálogo: Você poderia destacar o(s) aspecto(s) que achou mais interessantes nos artigos?

Dr. João comenta:

Com o crescimento da tecnociência a distanásia passou a ser uma realidade, principalmente considerando-se os idosos e suas múltiplas doenças associadas. Realmente há uma urgente necessidade de se repensar valores e olhar o ser humano na totalidade, fazendo com que a ética triunfe sobre a ciência médica, diferente do que ocorre atualmente.

Bernadete de Oliveira 

Sim. O que observamos hoje em UTI - salvo raras exceções - é realmente uma ausência de decisão ética. Quando estamos diante de um paciente é muito difícil não agir com emoção. E por muitas vezes acabamos por personificar o atendimento, tendo como objetivo seu bem-estar. Porém, ao encaminhar um paciente idoso com um prognóstico reservado para UTI e mantê-lo vivo por meses, totalmente dependente de drogas, aparelhos e sedação, o profissional corre um sério risco de ser contrário à ética. Por isso é preciso ter normas consensuais quanto à internação em UTI. Mas alguns interesses estão além das normas/do bem-estar/da ética. Alguns serviços chegam ao consenso, estabelecem normas; mas quando você está na "ponta da linha", observa cada caso... Agradeço muito sua contribuição e diferença.

Dr. João comenta:

Que pena que no país a mentalidade dos gestores normalmente não seja de transformar a tarefa em possibilidade. E sei que na área de saúde bucal realmente as coisas são precárias, como se a boca e sua saúde ou seus problemas não fizessem parte do corpo (assim como o coração, os pulmões...). Uma primeira saída talvez seja que os gestores obrigatoriamente tenham sólida formação em saúde pública, caso contrário...

Fernando Antônio T. Juliani 

Agradeço as considerações. Acredito que a formação em Saúde Pública é de fato, fator de "auxílio" para o gestor, pois a grande parte das teorias ou o próprio agir e pensar na saúde, encontramos vasto material de pesquisa e artigos que ajudam em muito no planejamento de ações e metas. Porém, penso que muitas coisas, na prática, advém do bom senso e do diálogo entre as várias camadas representativas, na governabilidade, pois saber impor um plano ou programa passa necessariamente pela governabilidade das ações e isto não se consegue só pelas teorias. A construção do SUS tem que "deslanchar", sair do alicerce para ter visibilidade para a população. Uma destas formas de se mostrar é ter a Saúde Bucal como fator de resgate de cidadania, pois com uma auto-estima em alta o povo volta a sorrir!

Farah Rejenne comenta:

Interessante colocação no texto sobre a responsabilidade individual do idoso por sua saúde, excluindo todo contexto sócio-econômico e a falta de suporte especializado a esta nova demanda de população crescente. Sendo que, o que se observa em estudos, é o aumento de idosos que necessitam de assistência, mas que por razões do próprio estado de saúde e/ou sócio-econômico, ficam impedidos de acessar os serviços tradicionais de saúde e restritos em seu domicílio sem a mínima assistência. No entanto, é de grande valia a oferta de serviços (atividades físicas e culturais) que proporcionem uma integração social e a promoção e manutenção da autonomia e independência nas atividades do cotidiano, mas é essencial pensar nos milhares de idosos que não tem esse acesso, que estão debilitados e/ou incapacitados sem nenhum suporte. Ou seja, surge a importância de investimentos não só em Centros de Referência ao Idoso, mas de Assistência Domiciliária com a proposta das três ações primárias de promoção, prevenção e reabilitação, bem como na educação da população e dos próprios profissionais da saúde sobre o idoso e o processo de envelhecimento.

Maria Socorro Timbó Mendes 

Compartilho com você da necessidade da implantação da assistência domiciliária para idosos que se encontram incapacitados  e impossibilitados de se deslocarem até os serviços de saúde para atendimento de saúde. Os Centros de Referências estão conscientes desta necessidade e alguns já prestam esse tipo de assistência.

 Ângela Maria Machado de Lima 

Gostaria de um esclarecimento sobre o comentário: Farah Rejenne discorda ou concorda com os argumentos do texto? Pareceu-me concordar, mas a dúvida surgiu ao ler o primeiro parágrafo (reproduzido a seguir), pois o uso da palavra EXCLUINDO não me pareceu claro se refere-se ao texto ou ao contexto sócio-econômico que critico?

"Interessante colocação no texto sobre a responsabilidade individual do idoso por sua saúde, excluindo todo contexto sócio-econômico e a falta de suporte especializado a esta nova demanda de população crescente."

Farah Rejenne comenta:

A minha colocação foi concordando com os argumentos do texto, ao tocante da proposta da necessidade de resistir à tendência de responsabilização individual das pessoas mais velhas pela sua saúde. E complementei e enfatizei o fato do sistema de saúde excluir ou não levar tanto em consideração o contexto sócio-econômico e a pouca oferta de suporte especializado a população idosa. Espero que tenha ficado claro agora. Obrigada pelo comentário.

 Ângela Maria Machado de Lima 

Obrigada pelo esclarecimento, Farah. Interessante saber que cada vez mais profissionais de saúde pensam assim! Quem sabe se com esse horizonte ético possamos ajudar a modificar as práticas de saúde para idosos no que se refere à responsabilização social pelo envelhecimento?

Áurea Soares comenta:

Gostei de suas reflexões, principalmente no tocante à importância que você atribui ao diálogo entre o médico e o paciente-idoso para o sucesso do tratamento. Recentemente li que algumas gestantes que têm planos de saúde, procuram hospitais públicos para que possam ter seus filhos de um modo mais natural, isto quando elas são "aconselhadas " a passar por uma intervenção cirúrgica. A sua fala vem corroborar o que a imprensa tem noticiado: a rede pública tem sim oferecido serviço com qualidade aos cidadãos da cidade de São Paulo. Se por um lado faltam recursos financeiros para colocar em pleno funcionamento a rede pública, por outro não resta dúvida que sobram profissionais competentes atuando nela.

Maria Socorro Timbó Mendes 

Áurea, fico contente que concorde com as minhas reflexões acerca da relação médico-paciente/idoso e com aprovação da imprensa com relação à qualidade do serviço da rede pública aos cidadãos de São Paulo.

Dr. João comenta:

Realmente há muito a medicina vem excluindo a relação humanista na relação médico-paciente. A tecnologia cresceu e com ela o distanciamento entre médico e paciente, que deixam de ser pares. Com o idoso, isso pode ser mais acentuado pela necessidade de um atendimento mais global, associado ao fato da maior vulnerabilidade física e principalmente emocional nesta faixa etária. A sorte é que muitos profissionais estão resgatando a tão importante relação médico-paciente ou não a deixando se perder em meio ao frio mundo tecnológico. Artigos para repensar o tema, como aqui, sempre trazem contribuições, pois pelo olhar dos outros podemos obter melhorias individuais.

Maria Socorro Timbó Mendes 

Áurea, fico contente que concorde com as minhas reflexões acerca da relação médico-paciente/idoso e com aprovação da imprensa com relação à qualidade do serviço da rede pública aos cidadãos de São Paulo.

Ângela Maria Machado de Lima comenta:

Prezada Socorro, Feliz dia dos médicos!

Gostaria de saudá-la pelo apelo, a humanização da relação médico-paciente, em seu artigo. Concordo com suas idéias, mas teria uma pergunta: em sua opinião, qual seria(m) o(s) motivo(s) da relação des-humanizada entre doente e médico?

Maria Socorro Timbó Mendes 

Ângela,

Alguns motivos para relação deshumanizada entre doente e médico: possibilidades de acessos mais rápidos e precisos ao(s) diagnóstico(s) pela multiplicidade de recursos tecnológicos que dispensam o contexto emocional na relação médico-paciente; tempo reduzido para o atendimento individual aos pacientes estabelecido pela rede pública e privada para consulta médica; dificuldades impostas ao doente na escolha do profissional para sua consulta.

Ângela Maria Machado de Lima comenta:

Fernando,

Gostei muito de seu texto mas tenho uma dúvida: o que seria CPO-D <= 3?

Fernando Antônio T. Juliani 

Ângela,

CPO-D é um índice usado na odontologia para medir e verificar a efetividade de programas em saúde bucal. As letras significam: Cariados, Perdidos, Obturados - Dentes; para calcular o índice leva-se em conta os 28 dentes presentes na boca adulta: permanentes, erupcionados e desprezando-se os 3º molares, verificamos quais dentes têm restaurações, cáries etc. e dividimos por dentes saudáveis. Espero que tenha respondido.

Doraci Lopes comenta:

Bom dia!

Aprecio a preocupação que alguns médicos têm com à relação "médico x paciente", principalmente o paciente idoso. Através de um trabalho multidisciplinar, poderemos conseguir essa humanização. Sou mestre em gerontologia pela PUC-SP e assistente social na Santa Casa de Santo Amaro, integro a equipe multi-profissional e procuramos trabalhar no processo de humanização no hospital. Parabéns pelo seu trabalho!

 Ângela Maria Machado de Lima 

Prezada Doraci,

 

Interessante poder trocar, não é mesmo? Acho que o "Portal" é um ótimo espaço para isso.
Vamos em frente. Abraços.

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