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Envelhecimento saudável e medicamentos: um alerta Thaís de Oliveira Rezende Dorázio* Fernando Luiz Brunetti Montenegro**
Envelhecer deve ser um processo normal, dinâmico, e não um momento de doenças. O envelhecimento é inevitável e irreversível, contudo enfermidades crônicas e incapacitantes que freqüentemente acompanham o envelhecimento podem ser prevenidas ou retardadas, não só por intervenções médicas, mas também por intervenções sociais, econômicas e ambientais. A procura por tratamentos apropriados é crescente e a busca por serviços de saúde é um indicador de investigação de uma melhor qualidade de vida pelos idosos. O cuidado aos idosos deve ser diferenciado, realizado por uma equipe formada por vários profissionais que compreendam as características peculiares da saúde do idoso e a presença de múltiplas enfermidades que determinam limitações funcionais e psicossociais Tratamentos diferenciados para o idoso, sejam por alterações fisiológicas sistêmicas, bucais ou por patologias, requerem cuidados adequados. Estudiosos do envelhecimento propõem que o cuidado assuma o papel de manutenção da vida no processo de envelhecimento, preservando a autonomia através dos autocuidados pelo paciente e a presença do cuidador apenas quando necessário. Aumentam-se as enfermidades e com isso aumentam também as medicações utilizadas para reverter ou apenas amenizar os problemas de saúde do idoso. O idoso costuma queixar-se de diversos sintomas relacionados às diversas partes do corpo e o médico tende à prescrever um grande numero de medicamentos para amainar suas queixas. Assim é grande a chance de que ocorram reações adversas (efeitos indesejados dos remédios) e interações entre as medicações utilizadas, já que cada foi indicada por um especialista diferente. Varias funções do organismo ficam diminuídas diante do processo de envelhecimento. A dose dos medicamentos deve ser ajustada ao organismo senescente, que normalmente necessitam de uma dosagem menor do que a que se prescreve para os adultos mais jovens. O diagnóstico correto para as patologias do idoso é fundamental para que sejam prescritos apenas os medicamentos necessários. Deve-se evitar que o idoso utilize muitos fármacos, pois também os gastos com medicamentos comprometem grande parte da renda mensal e com implicações na qualidade de vida do paciente e o idoso confunde-se com freqüência quando precisa tomar diversos medicamentos, sobretudo quando precisam ser administrados em horários diversos. Os idosos são os principais consumidores de remédios mas, além de consumirem medicamentos prescritos por seus médicos, utilizam medicações adquiridas por conta própria, sugeridos por parentes e amigos, ou ainda recomendados por balconistas de farmácias. A automedicação agrava ainda mais os efeitos colaterais das medicações e suas interações. A falta de conhecimento dos efeitos colaterais na cavidade bucal de medicações recomendadas por médicos traz conseqüências para a saúde dos idosos: aproximadamente 45% dos medicamentos prescritos para esta população podem causar reações adversas. As alterações bucais habitualmente encontradas e descritas nas bulas destas medicações são a diminuição do fluxo salivar, levando a um maior numero de lesões por cárie e doença periodontal, aftas, mucosites, displasias, dificuldade de fala, candidíase, sensibilidade dentinária, glossites, reações liquenóides, eritemas, halitose, entre outras. Os familiares e cuidadores podem contribuir na administração dos remédios, seja criando listas com os horários e a quantidade de cada medicamento , fazendo anotações claras nas embalagens dos remédios do tipo “ 1 comprimido pela manhã “ ou “ tomar 1 cápsula após o jantar” ou já dividi-los em caixas plásticas com horários corretos(Café, almoço, jantar,antes de dormir,por ex.). Quando o idoso confunde-se muito ou tem dificuldades é interessante entregar à ele as medicações na hora e número exatos. O médico principal (um geriatra, idealmente) deve ser informado de todas as medicações que o paciente utiliza, analisar os efeitos não desejados dos medicamentos(de cada um e também de um com outro), das dificuldades de administrações dos remédios, e assim facilitar os cuidados com a saúde, seja melhorando os horários, reduzindo a quantidade de remédios utilizados, alterando medicações por outras com menor custo ou por aquelas disponíveis em programas governamentais como “farmácia popular” ou distribuídas pelo SUS ou ainda combatendo efeitos adversos ou prescrevendo drogas com menores efeitos colaterais. Referências
*Thaís de Oliveira Rezende Dorázio - Odontogeriatra em Uberlândia (MG). E-mail: tr@triang.com.br **Fernando Luiz Brunetti Montenegro - Coordenador Cursos Especialização Odontogeriatria ABENO e ABO. Pesquisador mentor do Portal do Envelhecimento. E-mail: fbrunetti@terra.com.br Como publicado na Revista Saúde (Unimed) v.6,n.20,p.34-5, Jan 2008.
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