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Prioridade é integrar o idoso na família Lares devem ser o último recurso para os utentes com mais de 65 anos que em 2050 será mais de metade da população madeirense
Por Marília Dantas
Ilha da Madeira/Portugal - A previsão demográfica é que em 2050, o número de madeirenses com mais de 65 anos atinja os 57,44 por cento da população residente, mais do dobro do que existe actualmente que pouco passa dos 15%. Uma estimativa que preocupa as entidades regionais do sector da saúde, mas que já começaram a trabalhar numa resposta global e integrada no sentido de oferecer ao cidadão a oportunidade de envelhecer com saúde, num registo de autonomia e independência, vivendo o maior tempo de vida.
“Viver mais, Viver melhor” é o lema do Plano Gerontológico da Região Autónoma da Madeira para o quadriénio 2009 - 2013. Foi apresentado na passada semana pelo secretário regional dos Assuntos Sociais, Francisco Jardim Ramos, e é um projecto pioneiro em Portugal. O Plano terá uma actuação intersectorial e multidisciplinar que promove a saúde, a participação, a segurança e a independência nas pessoas com 65 e mais anos, para que possam viver mais e com melhor qualidade de vida.
Este é um projecto que está dividido em três grandes eixos de intervenção: o envelhecimento activo, as dependências e segurança (ver texto em baixo) e ainda a capacitação e formação específica (ver texto ao lado). Estas linhas transformam-se em 41 medidas, que a Secretaria Regionais dos Assuntos Sociais (SRAS) compromete-se a colocar no terreno até 2013.
Lares devem ser o último recurso Como a antecipação é a chave de uma resposta favorável, as medidas que integram o eixo do envelhecimento activo pretendem reforçar os factores de promoção e protecção da saúde e prevenção da incapacidade, como também fomentar a aceitação da fase final conferindo qualidade e dignidade às situações terminais. E aqui a prioridade vai para a abordagem da fase final de vida no contexto familiar.
É objectivo da SRAS criar respostas do tipo paliativas descentralizadas e em extensão domiciliária, para que o idoso fique sempre integrado na sua família. Apesar de um dos objectivos do programa de Governo seja o de dotar cada concelho de um lar (falta apenas Santana e Porto Moniz que estão em fase de execução), no entender de Jardim Ramos as instituições para idosos devem ser o último recurso.
Preparar projectos pessoais para reforma O Plano prevê a criação de um programa de preparação de projectos pessoais de reforma, que será um importante instrumento para evitar muitas depressões. É que depois de anos no activo, a entrada na aposentação é encarada por muitos como o “arrumar das botas”. O voluntariado remunerado ou não seria uma solução para capacitar estas pessoas para a manutenção de uma vida activa e a SRAS pretende criar uma bolsa de reformados para essa colaboração e envolver os idosos em projectos intergeracionais num escola por concelho. Criar projectos de voluntariado de proximidade em 30% dos concelhos é outra meta até 2013.
No âmbito do melhoramento da adequação dos cuidados de saúde às necessidades dos idosos, é pretensão da SRAS realizar um diagnóstico da situação de saúde dos idosos inscritos nos centros de saúde, abrangendo 75% dos utentes, já para 2010. Adoptar em todos os centros de saúde critérios de priorização no atendimento de idosos com doenças crónicas, deverá estar a funcionar em pleno em 2013. Diminuir o tempo para a cirurgia à catarata e à artroplastia da anca; para a consulta de reabilitação e aumentar o número de idosos atendidos na via verde do AVC são outras das metas a ser atingidas pela equipa de profissionais de saúde.
Uma outra mais-valia que será criada é o boletim de saúde da pessoa idosa, onde estarão registadas todas as patologias que o utente padece, fazendo com que o diagnóstico de possíveis complicações de doenças crónicas seja precoce. O objectivo é que no final do Plano, 75% dos idosos inscritos nos centros de saúde da Região tenham informação sobre a promoção de hábitos saudáveis e que já possuam o seu boletim.
Unidades Residenciais próximas das raízes
Focando agora o eixo destinado aos idosos que estão dependentes, uma das prioridades do Plano Gerontológico é a criação de pequenas Unidades Residenciais com capacidade máxima para seis idosos. Estas instituições, que vêm assim reforçar a rede de equipamentos sociais para a população idosa, serão criadas consoante as necessidades e sempre junto do local de origem do utente, ao contrário dos lares, que costumam ser edificados na sede de concelho.
Mas para os serviços regionais de saúde terem uma dimensão da dependência dos idosos, que em 2006, era de 19,1% e a previsão para 2050 é que estes valores tripliquem, vai ser criado um sistema de informação e monitorização do perfil de incapacidade. Serão aplicadas escalas de avaliação a todos os utentes idosos e limitados fisicamente e ainda será avaliada a sua qualidade de vida.
Na estratégia de promover um ambiente físico e sócio-familiar de autonomia e de independência no idoso, estão definidas várias metas. A primeira será a monitorização da sobrecarga familiar que têm idosos, aumentando as respostas aos doentes e familiares com situação de doença mental ou demencial, como Alzheimer e Parkinson.
Atentos aos casos de violência ou abusos a idosos, o Plano prevê a criação da figura do Mandatário do Idoso nos serviços de saúde, bem como a implementação de uma linha verde de informação ao idoso.
Faz ainda parte do Plano, a garantia de integração dos utentes na Rede Regional de Cuidados Continuados e Integrados, aquando de uma alta hospitalar ou convalescença. Esta Rede já admitiu 1.924 pessoas, até Dezembro de 2008.
A SRAS pretende ainda que 75% dos idosos tenham médico de família e um enfermeiro de referência. Os serviços regionais de saúde vão ainda sensibilizar as cidades da Região a integrar a rede “Cidade Amiga do Idoso”. A meta é que no final da vigência do Plano, metade das cidades tenham aderido a este projecto.
Melhorar o acesso aos equipamentos como Centros de Dia e de Convívio em 20% e ainda abranger 70% dos concelhos da Região com o Serviço de Ajuda Domiciliária com horário alargado, será uma mais-valia para os idosos que vivem sozinhos e também para as famílias que têm idosos e que não têm muito tempo disponível para prestar os cuidados necessários.
Cerca de cinco mil pessoas com mais de 65 anos vivem sós É certo que os números reportam ao último Censo de 2001, e desde essa altura os valores não foram recalculados, mas nesse ano já existiam 5.276 pessoas com mais de 65 anos a viverem sós. Este valor sofreu um aumento de 31 por cento em relação ao Censo de 1991. De um universo de 24.331 famílias na Região que tinham idosos na sua composição, 9.215 agregados familiares eram compostos apenas por idosos com um, dois ou três elementos.
Passados quase dez anos e a preparar um novo estudo demográfico, a previsão é que o índice de envelhecimento, que está nos 72 por cento, duplique e as estimativas é que exceda o triplo em 2050.
Em 2001, existiam 33.578 pessoas com mais de 65 anos, das quais 16.466 eram analfabetos. Do total de idosos na Região, 29.332 viviam de pensões de reforma e 1.236 estavam a cargo da família. Em Dezembro de 2007, 853 idosos recebiam o Complemento Solidário para Idosos. Ao nível da saúde, a vacinação contra a gripe tem uma cobertura de 52% dos idosos entre 2007 e 2008.
No que respeita às respostas no âmbito da Segurança Social para os idosos, existem vários serviços, tal como a ajuda domiciliária que tem uma cobertura de 9,6%, que representa 3.108 utentes apoiados em Dezembro de 2007 com os serviços de lavandaria e refeições ao domicílio. O Serviço de Teleassistência, em Setembro de 2008, tinha 41 pessoas. Já os 28 centros de convívio eram frequentados por 1.017 idosos, sendo que nos 16 centros de dia eram por 308 utentes. Nas residências para idosos, viviam 37 pessoas e nos 22 lares estavam internadas 958 pessoas. A lista de espera para o internamento de pessoas com mais de 65 anos era de 700 candidaturas em Dezembro de 2007.
Formação para cuidadores informais A figura do cuidador informal foi criada há dois anos e neste momento são já 72 os amigos ou familiares que prestam cuidados a pessoas idosas e com alguma dependência. A grande maioria são mulheres, cujas idades se situam entre os 45 e os 70 anos. Quanto ao perfil do cuidador, quase metade são filhos ou noras e 73 por cento não tem actividade profissional, sendo que 80% coabita com o receptor de cuidados. O objectivo até 2013 é o de regulamentar a figura do cuidador e também dar formação a estas pessoas. O Plano prevê que 25 por cento dos cuidadores deverão ter qualificação. Esta é uma medida que está incluída no eixo da Capacitação e Formação Específica do Plano Gerontológico, tal como outras que promovem a formação dos profissionais de saúde. Será elaborado um programa de formação que irá abranger 75% dos profissionais que lidam directamente com idosos. Haverá, pelo menos, uma acção de formação por concelho, que irá assentar nos eixos do envelhecimento activo e dependências e segurança.
Combater o analfabetismo e a iliteracia é outro dos objectivos deste Plano. Neste sentido, pretende-se aumentar o número de idosos no ensino recorrente e ainda estender o projecto Ler Dá Mais Saúde à população sénior através de experiências tipo biblioteca de rua e espaços de leitura nos centros de saúde. ________________________________ Fonte: Jornal da Madeira – 02/11/2009. http://www.jornaldamadeira.pt/not2008.php?Seccao=14&id=137074&sup=0&sdata=
Nota da Redação Portal: Dados recentes do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), assinalam que o Brasil tem hoje cerca de quatro mil asilos, Isto é, uma instituição para cada 700 idosos acima de 80 anos. O Rio de Janeiro é o estado do país que tem a maior proporção de idosos. Há nele 289 instituições, sendo que apenas uma é federal. O que isso quer dizer? Que o Estado deverá implementar estratégias de planejamento sobre modos de morar, afinal a responsabilidade total não deve mais ser assumida apenas pela família. O Estado deverá pensar sobre o cuidado com as pessoas idosas. A sociedade também deverá incluir em suas agendas a questão da longevidade. Está mais do que na hora de despertarmos para uma realidade que cada vez mais bate à porta de todos os cidadãos brasileiros. Está na hora de planejar o nosso envelhecer!
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