República de idosos, nova moda na Europa

Jorge Felix


De acordo com o Census Bureau, eles representam 29,5% da população norte-americana e somam cerca de 76 milhões de pessoas. É a faixa de idade com percentual mais alto do total. Na Europa, os baby-boomers, aqueles nascidos de 1946 a 1964, dependendo do país, representam até um percentual maior na população do que nos Estados Unidos.

Mas aqueles bebês, que tanto ajudaram a propagar a felicidade e a ilusão de paz eterna do pós-guerra, agora, são vovôs e vovós e, se nos anos 40 e 50 faziam bagunça com os irmãos nas salas e quintais dos avós, no século 21 estão a procura de abrigo.

O baby-boom é hoje o papy-boom. Aqueles bebês optaram por um outro estilo de vida e constituição familiar. A mulher daquela geração é outra. Uma trabalhadora integrada na sociedade e no mercado de trabalho. Isso significou gerar menos bebês. Um ou dois filhos, no máximo, sobretudo nos países ricos.

O desafio dos papy-boomers, ao chegarem aos 65 anos, aposentados, é escolher um lugar para morar. Asilo? Isolamento? Casa dos filhos? Não. Na Europa, principalmente, os idosos estão optando por constituir repúblicas à imagem e semelhança daquelas que eles criaram quando eram jovens universitários.

Na Alemanha há uma explosão de WG (pronuncia-se veguê) ou wohngemeinschften. A co-habitação tem sido a saída mais bem sucedida para os idosos sem filhos ou pais de filho único. Não só viúvas e viúvos decidiram dividir uma casa ou apartamento, mesmo casais têm optado pelas repúblicas.

Este comportamento é atualmente um grande negócio na Europa e movimenta o mercado imobiliário e uma série de serviços exclusivos para as repúblicas de idosos.

Além de ser uma forma de dividir a fragilidade da velhice e repartir os custos da longevidade, a co-habitação é o melhor remédio para a solidão, a depressão ou a ansiedade – doenças que se tornaram comuns nesta fase da vida.

Algumas construções, projetadas por gigantes da construção civil, são adaptáveis para situações futuras, como uso de cadeiras de rodas, por exemplo.

Na Alemanha, onde os cidadãos podem dispor de aposentadorias mais justas, os papy-boomers sofisticaram a tal ponto as repúblicas que participam desde a elaboração da planta da casa, construída em cooperativa, podendo escolher quantos metros quadrados terá uma suíte, até à escolha de empregados para auxiliá-los, como motorista, cozinheira e arrumadeira – um conforto possível com a divisão dos custos.

Na França, após a canicule de 2003, quando muitos idosos solitários morreram de calor, foram criadas várias associações, algumas em rede como a “Cocon3s”, sempre seguindo o espírito do filme “Albergue espanhol”.

*Jorge Felix é jornalista, 40 anos, trabalhou por quase 10 anos no Jornal do Brasil, onde foi repórter especial em São Paulo, Brasília e Rio de Janeiro. Foi editor-assistente de Política da revista IstoÉ; colunista do portal AOL, repórter de economia dos telejornais Bom dia, Brasil e Jornal da Globo e coordenador de produção do Jornal Nacional. Na Editora Globo, foi um dos criadores da revista Quem, da qual foi redator-chefe. Na TV Cultura, implantou e coordenou o Núcleo de Comunicação da Fundação Padre Anchieta. Foi sócio da editora Barcarolla. Desde abril de 2006, integra o staff de editores da Letras&Lucros. Também escreve nas revistas Update (Amcham), ValorInvest e no jornal Valor Econômico.

 

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Fonte: Blog do Jofe, 19/8/2008. http://jofelongevidade.blig.ig.com.br/