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Estímulos essenciais
Uma vida intelectualmente ativa colabora para o melhor funcionamento do cérebro

Qualquer tipo de atividade intelectual colabora para manter a saúde do cérebro em bom estado. Ler, costurar, escrever, brincar com palavras cruzadas e jogar xadrez. Ao colocar a cabeça para pensar, a pessoa necessariamente estimula a formação de novas sinapses. Sinapse é o ponto de encontro dos neurônios por onde passam os estímulos elétricos, essencial para o bom funcionamento do cérebro. Quanto mais ativo intelectualmente for o indivíduo, mais sinapses ele apresentará.
Essa quantidade farta de estímulos neurais pode trazer boas consequências no futuro e ajudar a retardar o início de algum tipo de perda de memória. Em algumas situações, como na doença de Alzheimer, o cérebro começa a perder parte de suas sinapses, o que reduz a capacidade intelectual. Porém, quanto mais sinapses você tiver desenvolvido ao longo da vida, mais sinapses permanecerão ativas.
- Apesar das perdas, a pessoa permanece com muitas sinapses, mantendo o cérebro em boa atividade. Isso empurra para mais tarde o aparecimento de problemas de memória. Por isso, a importância de se ter sempre uma vida intelectualmente ativa – aconselha o neurologista Paulo Bertolucci, chefe do Setor de Neurologia do Comportamento da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).
Entre as queixas mais comuns que aparecem com a idade estão o esquecimento de nomes de pessoas e do local onde foram deixados objetos, como chaves e óculos.
Bertolucci enfatiza que os idosos mantêm a capacidade de criar novas memórias, ou seja, de aprender e guardar informações recentes.
– A diferença está apenas na velocidade. Os idosos costumam precisar de um pouco mais de tempo para formar as novas memórias – explica.
A memória será um dos temas abordados no 5º Congresso Brasileiro de Cérebro, Comportamento e Emoções, que ocorre em Gramado, de 11 a 13 de junho.
As queixas mais comuns |
ESQUECI O NOME DELE... |
> A dica é parar alguns segundos e tentar puxar na memória algum fato, momento ou característica da pessoa. Esse exercício pode desencadear uma série de lembranças que ajudam a relembrar o nome. |
NÃO LEMBRO ONDE DEIXEI A CHAVE! |
> Logo após esse esquecimento, tente se lembrar quando foi a última vez que usou a chave e em que momento. A lembrança pode dar boas pistas de onde ela foi parar. Outra dica é ter um lugar específico para guardar o objeto. Com local determinado, fica mais difícil de perdê-la de novo. |
As diferenças entre os casos |
> A perda de memória pode ser comum e até mesmo um indício de situações mais graves, como a doença de Alzheimer. Mas vale ressaltar que, na grande maioria dos casos, se trata de uma perda natural, sem ter relação com enfermidade alguma. |
> Para perceber a diferença, os médicos analisam as consequências dos esquecimentos. Se a pessoa for traída pela memória, mas lembrar daquilo a que gostaria de se referir pouco tempo depois, ou se os esquecimentos não prejudicarem a rotina, não deve haver problemas mais sérios. |
Exercite sua memória
Atividades manuais podem ajudar a preservar a capacidade de reter informações
Uma pesquisa realizada por uma instituição americana dá novo ânimo e inspiração para quem quer envelhecer com saúde e, principalmente, com a memória sempre em dia. O estudo analisou a vida de mais de 1,3 mil entrevistados, entre 70 e 89 anos, e percebeu que as pessoas que mantêm atividades diárias simples, como fazer artesanato, ler revistas ou trabalhar com o computador, podem ter menos risco de desenvolver um tipo perda de memória com o avanço da idade, conhecida como transtorno cognitivo leve. Esse transtorno se caracteriza por pequenos esquecimentos, mas sem alterar a rotina do paciente. Pode, no entanto, evoluir para quadros mais graves.
Para aqueles que gostam de trabalhar com pintura, costura ou tricô, por exemplo, o risco pode cair de 30% a 50% se comparado com as pessoas que não praticam essas atividades. Resultado parecido foi constatado para quem assiste a menos de sete horas de TV por dia. Nesses casos, o risco é 50% menor. Já para o pessoal que gosta de ler e manter atividades sociais, o risco de sofrer com perda de memória cai 40%. Cabe ressaltar que a rotina saudável com atividades intelectuais deve ser seguida, pelo menos, desde a meia-idade, por volta dos 50 anos.
– O estudo é animador porque demonstra que envelhecer não precisa ser um processo passivo. Por se dedicar a essas tarefas, você pode se proteger contra a perda de memória futura – afirma o autor da pesquisa, Yonas Geda, neuropsiquiatra da Clínica Mayo, em Minnesota.
Um dos mistérios que permanece entre os médicos é saber até que ponto a boa memória é causa ou consequência para a manutenção das atividades. A dúvida, por exemplo, é entender se um idoso continua lendo livros porque sua memória segue saudável ou se o seu cérebro continua ativo como resultado de um esforço diário de leitura.
Mesmo sem a resposta conclusiva, o importante é colocar em questão o fato de que envelhecer não significa necessariamente perder a memória ou a capacidade de raciocínio. Pelo contrário. Com o passar dos anos, pode-se ter mais condições de cruzar dados, analisar acontecimentos com calma e tomar uma decisão mais acertada, como explica Martin Cammarota, pesquisador do Centro de Memória do Instituto do Cérebro da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS).
– A memória do jovem ou do idoso não é pior nem melhor. É diferente. O importante é saber que perda, com a idade, pode ser consequência de alguma doença, que, se tratada, pode ter cura. Está errado achar que é normal só porque a pessoa ficou mais velha – enfatiza.
Na lista de doenças que provocam problemas de memória estão Alzheimer, isquemias cerebrais e até mesmo depressão. Na terceira idade, os sintomas depressivos costumam ser confundidos com a demência. Por isso, é importante que as famílias fiquem sempre atentas. Afinal, nesse caso, a perda de memória pode ter cura.
As hipóteses
- A pesquisa da Mayo Clinic não chegou a uma resposta definitiva, mas levantou duas hipóteses para explicar os benefícios das atividades.
A primeira é que o envolvimento com leitura e artesanato pode ser sinal de toda uma vida saudável, ou seja, uma pessoa que segue essas atividades também se preocuparia com a alimentação e exercícios físicos, por exemplo.
- A segunda hipótese é que as atividades funcionariam como guardiãs dos neurônios. Elas estimulam o funcionamento correto, evitando a perda dessas células e futuros problemas de memória.
A pesquisa

- Entre 2006 e 2008, os especialistas dividiram os entrevistados em dois grupos: 197 pessoas entre 70 e 89 anos que apresentaram algum tipo de problema de memória (grupo 1) e 1.124 pessoas com a mesma idade e sem sintomas semelhantes (grupo 2).
- Os dois grupos responderam perguntas sobre quais atividades realizaram diariamente no ano anterior à pesquisa e na época em que estavam na faixa de 50 a 65 anos.
As conclusões
- Pessoas que costumam ler livros, trabalhar no computador e fazer artesanato, costura e tricô têm de 30% a 50% de redução no risco de sofrer perda de memória.
- O risco cai 50% para quem assiste TV por menos de sete horas por dia.
- Quem mantém atividades sociais e leitura de revistas pode ter uma redução de 40%.
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Fonte: Jornal Zero Hora (on-line) de 6 de junho de 2009
http://zerohora.clicrbs.com.br/zerohora/
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