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www.maisde50.com.br: Memória Musical em Conservatória
Por Araci Coriolano* Rita Amaral** Especialmente para o Espaço Memória
Rita Amaral e Araci Coriolano
A Equipe do Mais de 50 (www.maisde50.com.br) nos fez um convite: participar do IX Encontro de Internautas, na cidade de Conservatória, no Estado do Rio de Janeiro nos dias 15, 16 e 17 de maio.
Já tínhamos participado do VI Encontro, na cidade de Penedo em março de 2005. Quatro anos tinham se passado. Quem encontraríamos desta vez?
Neste ano 57 pessoas aderiram ao convite e viajaram para Conservatória. De acordo com as informações da organização do Mais de 50, sete estados estavam lá representados: São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Espírito Santo, Paraná, Rio Grande do Norte e Distrito Federal. Pessoas que viajaram mais de um dia pela oportunidade do encontro. Segundo a equipe: “Um fim de semana inteiro dedicado ao prazer da descoberta e à celebração da vida”.
Nosso encontro iniciou-se no terminal Tietê, local de onde partiu um microônibus com o grupo de São Paulo. Suzete, de Mairiporã, estava encarregada de esperar as pessoas que depois de quase uma hora conseguiram se encontrar para que a viagem fosse iniciada. Caía uma chuvinha fina que não desanimou ninguém. Algumas pessoas se reencontraram das viagens anteriores, outras estavam indo pela primeira vez: o que e quem iriam encontrar?
Expectativas... Para nós, também a curiosidade sobre este grupo de internautas, que se conhecem virtualmente e se dispõe a sair de suas cidades para um encontro pessoal.
Tínhamos também ouvido bastante sobre Conservatória, que segundo seus moradores é a capital mundial das serestas e serenatas. Segundo o site www.feriabrasil.com.br/conservatoria “A tradição da seresta em Conservatória começou em 1938, quando um grupo de violeiros apaixonados saiu pela madrugada para cantar diante das janelas de suas musas. A cantoria agradou não só às moças como a vila inteira - e dura até hoje. As serenatas embalam a cidadezinha nas noites de sexta e de sábado e nas manhãs de domingo, quando músicos e turistas saem pelas ruas emolduradas por prédios coloniais entoando cantigas de amor e recitando poemas. Na noite, Seresteiros e turistas cantam juntos, parando de porta em porta para cantar as músicas preferidas dos moradores, pois em Conservatória, as casas são identificadas não com placas numéricas, mas com o nome da canção preferida dos proprietários. O evento acontece o ano todo, mas duas datas são especiais - o último sábado de maio, quando se comemora o Dia do Seresteiro; e o último sábado de agosto, quando acontece o Encontro de Seresteiros, com artistas de diversas partes do Brasil.”
Depois de uma viagem de 7 horas (muitos reparos na estrada) chegamos à Conservatória, e fomos para o Hotel Vilarejo onde o grupo do Rio já tinha chegado. Os profissionais convidados tiveram que ficar num hotel próximo (Pousada Rochedo), pois algumas pessoas tinham se inscrito de ultima hora e a equipe optou por não separar o grupo para que pudessem interagir mais. Sentimos não poder estar mais juntos, pois assim teríamos conhecido melhor os internautas.
No inicio da noite de sexta feira todos foram reunidos numa sala do Hotel Vilarejo e a equipe do Mais de 50 deu as boas vindas a todos, apresentou os profissionais que atuariam durante o encontro e fez uma dinâmica de apresentação com todos os participantes.
No sábado saímos, com uma guia local, a pé pela cidade de Conservatória. A cada esquina uma descoberta. Soubemos que Conservatória cresceu e prosperou durante o ciclo do café da economia brasileira, a partir do século passado. A cidade, hoje distrito do município de Valença, foi um importante elo na produção e circulação do produto, abrigando mais de 100 fazendas que plantavam o café e o escoavam pelo antigo caminho ferroviário que vinha das Minas Gerais e ia para a Corte, no Rio de Janeiro, de onde seguia para o porto e outras cidades do país. A arquitetura da cidade é encantadora. Tudo é muito bem conservado. Lojas com artesanato da região; restaurantes com seresteiros em sua maioria, cafés, e em todos os lugares muita música.
Na tarde de sábado, assistimos à palestra da psicóloga Ana Fraiman sobre Projeto de vida, e no inicio da noite tivemos uma experiência com Biodanza, comandada por Regina Hesketh que convidou todos a dançar. Uma das participantes me confessou: “Até agora, o que eu mais gostei foi de dançar!”.
Na noite de sábado muitas opções: festa árabe depois do jantar no hotel, um festival de bossa nova na cidade e também seresta. A partir das 23 horas sai a seresta do Museu do Seresteiro.
Os seresteiros caminham por algumas ruas de Conservatória como uma procissão musical. Um grupo vai à frente, cantando e declamando, e as pessoas os acompanham fazendo um coro de cantores. Uma experiência inédita!
Domingo amanhece ensolarado, é o dia da nossa Oficina. Na nossa bagagem muitos CDs previamente selecionados para a atividade. Tivemos a participação de mais ou menos 30 pessoas. Para estarmos de acordo com o “espírito” da cidade, fizemos uma Oficina Musical realizando um trabalho com a memória autobiográfica, que utiliza o conceito de memória sócio-afetiva positiva e possibilita, através da reflexão sobre a trajetória de vida, ressignificá-la. Essa metodologia, utilizada por nós, foi desenvolvida pela Profª Drª Vera Brandão. Os participantes formaram grupos, conversaram sobre as músicas e letras selecionadas, elencaram alguns temas que acharam mais significativos e apresentaram para todos num segundo momento. Foi aberto um espaço de trocas tanto no grupo menor como na plenária. Muitas músicas foram ouvidas por todos, e varias lembranças afloraram. Alguém lembrava das cantorias do pai, outras da época da ditadura ou mesmo da fase da bossa nova.
Oficina de Memória
Ao final do encontro pedimos palavras que expressassem o sentimento vivenciado durante Oficina. Abaixo, as palavras dos Mais de 50:
amadurecimento, amizade, amor, aprendizado, caridade, bom, colaboração, interesse, esperança, escuta, experiência, confiança, integração, flash, bom, harmonia, mudanças, construção, interesse, joie de vivre, recriar, resgate, respeito, escuta, caridade, companheirismo, compartilhar, satisfação, saudosismo, troca,valeu, conhecimento, valor, vivencia, vida, valeu, convivência, novos amigos.
Na volta, durante o trajeto, percebemos a importância e o significado destes poucos dias passados juntos. Os “mais de 50” faziam planos para novos encontros. Relendo a carta de boas vindas, recebida no dia da chegada, constatamos que os objetivos da viagem a Conservatória - de novas possibilidades, novos caminhos e novos amigos - tinham sido plenamente atingidos, graças ao envolvimento e contribuição de todos.
Conservatória e os Mais de 50
*Araci Tizon Coriolano - Psicóloga, especializanda em Gerontologia. Integrante do Grupo de Estudos da Memória (GEM), do Núcleo de Estudos e Pesquisa do Envelhecimento (NEPE) do Programa de Estudos Pós Graduados em Gerontologia da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo - PUC/SP e do Grupo de Estudo do Envelhecimento do Centro de Referencia e Cidadania do Idoso – CRECI – Gerodiscussão. Atuando em Instituição de Longa Permanência com Oficina de Memória. acoriolano@uol.com.br
**Rita Amaral - Pedagoga, especialista em Gerontologia, pesquisadora do Grupo de Estudos da Memória (GEM) do Núcleo de Estudos e Pesquisa do Envelhecimento (NEPE) do Programa de Estudos Pós Graduados em Gerontologia da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo - PUC/SP. rita@oficinamemoriaviva.com.br
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