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Sylvia Colombo Quando Lillian Ross começou no jornalismo, nos anos 50, usava um bloquinho espiral de 7,5 cm por 12,5 cm. E só. Hoje, super-adaptada aos tempos modernos, é possível "conversar" com essa simpática senhora de 79 anos por e-mail, ferramenta que ela deve manejar habilmente, dada a rapidez com que responde mensagens. Foi por essa via que Ross falou com a Folha. A escritora virá para a 4ª Flip (Feira Literária Internacional de Parati) e participará de um projeto ligado à sua editora no Brasil (Companhia das Letras), mas que ainda não foi revelado.
Ross é considerada uma das fundadoras do chamado
"new journalism" (ou romance de não-ficção), gênero que mistura
narrativa jornalística com literária e que teve seu "boom" ligado à
revista norte-americana "The New Yorker". Ross foi repórter da
publicação e, quando tinha 25 anos, produziu para ela uma série de
reportagens que dariam origem a "Filme", sua obra mais importante.
Nela, a jornalista acompanha os bastidores da filmagem de "A Glória
de um Covarde", de John Huston, e a maneira cruel como o filme foi
despedaçado pela máquina hollywoodiana. Folha - Como foi "inventar" o "new journalism"? Lilian Ross - Quando comecei a fazer a reportagem para "Filme", fiquei muito envolvida com as pessoas sobre as quais estava escrevendo. Eram como personagens de ficção, e a ação parecia novelística para mim. Então escrevi uma carta para meu editor, dizendo-lhe que queria escrever a reportagem como se ela fosse um romance. Mas só quando o texto foi publicado é que os leitores perceberam o que eu tinha feito, pois a história os envolveu da mesma maneira como aconteceria caso se tratasse de um romance. Com o tempo, passaram a dizer que aquilo era uma inovação em termos de não-ficção. Folha - A sra. conheceu Truman Capote? Ross - Conheci Capote nos anos 50. Encontrei-o pela primeira vez na casa de Charlie Chaplin, em Vevey, na Suíça, e ele imediatamente começou a me perguntar coisas sobre "a maneira como eu escrevia", como tinha feito "Filme" e sobre fazer relatos sobre a realidade usando um formato ficcional. Eu tinha descoberto desde "Portrait of Hemingway" (1950) que era muito divertido e interessante usar diálogos, mostrar a relação entre as pessoas por meio da maneira como elas conversavam ou agiam. Folha - Considera que ele tenha sido um seguidor seu?
Ross -
Capote queria fama e dinheiro. E, com um tanto de
autopromoção e publicidade, ele passou a dizer que havia inventado o
romance de não-ficção. Ele conseguiu o que queria, fama e dinheiro.
Eu sempre estive mais interessada no prazer de escrever. Nunca
pensei no poder daquilo que estava fazendo. Isso ficou evidente
pelos diversos níveis de compreensão e apreciação dos leitores.
Depois vieram aqueles que se auto-proclamavam seguidores do "new
journalism". Ross - Eles imitam os bons escritores, mas nunca realmente entendendo ou gostando daquele trabalho. Eles estragaram tudo, porque tomaram liberdade com os fatos, descreveram o que as pessoas "pensaram" etc. Sempre acreditei que era possível mostrar o que as pessoas pensavam por suas palavras e ações. Acho que a maior parte dos que usam jargões como "novelas de não-ficção" ou "new journalism" está tentando se autopromover. Folha - O que está fazendo agora?
Ross -
Mantenho minha colaboração para a seção "The Talk
of the Town" da "New Yorker" e estou escrevendo um livro sobre
atores que foram únicos para mim.
Entre eles, Anthony Hopkins, Anjelica Huston, Bruce Willis, Robin
Williams, Frances McDormand, Clint Eastwood, Edie Falco, Jessica
Lange e Sean Penn.
Tento
mostrar o que há de único em cada ator e quais são os elementos
particulares que possuem para fazer com que gostemos de assisti-los.
Eu gosto de atores. Admiro-os muito. Acho que são os mais corajosos
dos artistas. Fonte: Últimas Notícias Uol /Folha Online/Ilustrada; 27/05/2006. |
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