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Seminário Masculino
Por Eliana Novaes*
Seminário sobre Envelhecimento Masculino foi o tema do evento promovido pelo SESC-SP, no mês de junho, unidade Avenida Paulista (SP), assunto pouco investigado pelos especialistas que trabalham com idosos: conhecer um pouco sobre como vive o homem idoso brasileiro, suas relações de gênero e de paternidade, suas ocupações possíveis, suas necessidades econômicas e afetivas, focalizando a diversidade de atitudes em recortes da classe social.
A organização, o local e principalmente os temas abordados foram de grande importância a todos aqueles que trabalham na área da saúde e em outras áreas e atendem essa população que cresce cada vez mais.
A abertura do evento apresentou uma visão psicanalista sobre o significado da ordem dos papéis masculinos e femininos, na sociedade patriarcal e na atual sociedade contemporânea. Mostrou que o homem continua focado no ambiente externo, no trabalho e que a mulher anteriormente voltada para o lar e cuidados dos filhos, assume também o trabalho externo, ocorrendo alterações nos papéis, anteriormente bem definidos pela supremacia masculina e submissão feminina. A partir dessas colocações refletimos o quanto as relações humanas, os papéis de gênero e novos arranjos familiares, somados ao aumento da longevidade, afetaram a antiga estabilidade dos costumes promovendo novas adaptações.
Outro assunto pertinente à nossa realidade brasileira foi a necessidade por parte de todos nós realizarmos um planejamento de ocupação para podermos aproveitar de uma forma gratificante e prazerosa a nossa longevidade, criando novos projetos de vida e dando maior sentido a nossa existência.
Envelhecimento em crescimento, ou seja, a vida idosa como as outras fases da vida é um momento de crescimento, apesar de termos a questão biológica de debilidade, temos a questão intelectual em desenvolvimento e saber administrar a vida como um processo histórico, implica na identificação de metas e caminhos de um projeto de crescimento. Assim os especialistas e pesquisadores em gerontologia necessitam ter uma atitude mais dinâmica para o cuidado saudável do novo idoso do século XXI.
Outro importante tema foi a questão da sexualidade e do uso abusivo do VIAGRA e de suas implicações de ordem física e psicológica, mostrando que as questões existenciais e humanas necessitam ser mais bem estudadas e refletidas. A moderna gerontologia incentiva os ganhos da idade, as trocas intergeracionais em lugares públicos e as convivências familiares. Na visão psicanalista, o desejo não envelhece e o tempo é o nosso melhor alimento, pois não tem começo e nem fim. O equilíbrio da vida está no bem supremo do tempo. Rico é o homem que sabe conviver com o tempo.
Um assunto muito discutido e comentado pela maioria dos participantes do seminário foi a dificuldade de falarem do assunto devido a pouca bibliografia e trabalhos científicos publicados. Além disso, foi comentado a dificuldade em trazer os homens idosos a participarem de grupos de convivência social, de lazer e de tratamentos terapêuticos, demonstrando a necessidade de buscarmos novas formas de trabalho gerontológico.
E como tudo tem um começo e um fim, o tema da morte foi abordado e com ele discutiu-se a necessidade dos cuidados paliativos, da orientação aos familiares e também da importância dos rituais, do luto e do respeito por esse momento de vida tão delicado e importante a todos nós.
Tivemos um excelente momento de informações e reflexões na gerontologia social, num seminário muito bem organizado pelo SESC e sua eficiente equipe de profissionais, contribuindo para o estudo e aprimoramento do conhecimento do homem idoso brasileiro.
*Psicóloga e mestranda em Gerontologia pela PUCSP.
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