Recuperação de idosos

Instituição modelo para idosos e pacientes em recuperação despeja internos. Proprietários surpreendem familiares de pacientes ao decidir fechar a instituição, voltar atrás e logo depois anunciar venda

 

O Hiléa, que se pretendia o mais moderno centro de vivência e desenvolvimento para idosos do País, abriu suas portas em dezembro de 2007. Com programação para residentes, idosos que freqüentavam atividades durante o dia e pacientes em recuperação física, viveu bem o ano de 2008. As famílias dos residentes têm inúmeras histórias de “milagres” para contar.

Desde o início, porém, as famílias detectavam problemas administrativos. Mas confiavam tratar-se apenas de adaptação de um novo negócio, especialmente porque o Hiléa foi montado por investidores de peso, como Stan Desenvolvimento Imobiliário, Illan Participações, Partage, Construtora RFM, Monte Cristalina e um fundo de private equity – ou seja, por pessoas como Stefan e André Neuding, Ana Maria Igel, João Alves de Queiroz Filho, Romeu e Joaquim Ferraz, Marcio Moraes e Henry Visconde.

Com investimento de R$ 45 milhões, localizado no Parque Panamby, 119 quartos e qualidade de hotel cinco-estrelas, o Hiléa oferecia aos pacientes estrutura médica, atividades físicas (inclusive com piscina coberta), terapia ocupacional, recreação e espaço para familiares, com restaurante.

A idéia surgiu da experiência de Christiane DAndrea, diretora presidente do Hiléa, que contava com a ajuda do diretor clínico Paulo Roberto Canineu. Aos poucos, os familiares foram sabendo que Christiane saíra da função. Que Canineu deixara a instituição. Notavam que algumas coisas não funcionavam como deveriam. Rumores surgiam.

Na semana de 13 a 17 de abril, os familiares foram informados em reuniões particulares de que o Hiléa seria fechado em 6 de junho. A essa altura, contava com 50% de ocupação.

Uniram-se, reuniram-se, discutiram possibilidades. Reuniram-se por fim com o novo presidente, Julio Nakamura, representante de um dos investidores (Illan). A explicação foi de que a crise econômica mundial havia afetado os negócios e os investidores gastavam R$ 500 mil por mês para sustentar a instituição. Quanto ao retorno do investimento, eles imaginavam que já o veriam no prazo de um ano após o início das atividades. Essa explicação surpreendeu os familiares, pois poucos investidores contam com retorno do capital em menos de cinco anos.

A partir da união dos familiares, houve uma reunião em 12 de maio, com a presença de dois dos investidores. Os familiares levaram sugestões, propostas e até nomes de investidores interessados em adquirir parte do negócio, que se divide entre o prédio (valor de R$ 40 milhões) e a Alegranza, empresa criada para gerir o negócio (avaliada hoje em R$ 12 milhões).

Nessa reunião, foi anunciado em alto e bom tom: o Hiléa não será fechado. “Embora sejamos uma empresa, não podemos abandonar assim nossos residentes.” Para isso, deveria haver um esforço de todos: um aumento de 60% em média nas mensalidades. Uma comissão de familiares acompanharia todos os números da empresa para ter certeza de que a gestão estava mais eficiente.

Foram os familiares que pediram a reunião de 8 de junho: para saber como andavam as medidas de saneamento financeiro. A essa altura, muitos residentes já tinham sido transferidos por seus familiares a outras instituições, por causa do aumento de 60%. Ficaram apenas 25. Para reduzir custos, os pacientes foram concentrados em apenas dois andares, não importando seus níveis de cognição e necessidades.

Na reunião de 8 de junho, o que era para ser um acompanhamento de contas virou um choque para os familiares. O presidente Nakamura anunciou estar demissionário por não concordar com a nova decisão: o Hiléa está sendo vendido. O novo presidente é Joaquim Ferraz. Ele diz que o Hiléa está à venda e a única proposta na mesa é do governo do Estado, para fazer ali um centro de reabilitação (Lucy Montoro, nos moldes da Rede Sarah Kubitschek). As pessoas tém 120 dias para sair. Mas algumas atividades já foram suspensas. A vivência diária para quem não mora ali acabou da noite para o dia.

Os familiares estão indignados. Mais do que isso: sentem-se humilhados e desrespeitados. Mesmo os que transferiram seus parentes se solidarizam com a indignação. Afinal, todos sabem como é difícil encontrar instituições de qualidade para idosos com Alzheimer e com outros problemas.

Ninguém mais confia no que é dito pelos investidores e seus prepostos. Afinal, eles tivera atitude duplamente irresponsável, ao iludir todos com a afirmação de que o Hiléa não seria fechado e com a mudança de posição 26 dias depois. Suspeita-se de que a promessa de continuidade tenha sido feita apenas com a intenção de desmobilizar e desunir os familiares dos pacientes.

Mas os familiares estão decididos a entrar com uma ação contra esses investidores e proprietários, acionando Procon, Decon ou outros órgãos de defesa do consumidor .

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Fonte: Ciber Saúde: http://www.cibersaude.com.br/destaques.asp?cak=187