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O desafio das mudanças Maria Celia de Abreu - mceliadeabreu@uol.com.br, Com o passar do tempo, ocorrem necessariamente modificações no ser humano. Quem está na fase da maturidade ou da velhice tem uma tendência a prestar mais atenção às mudanças que aparecem no corpo. Quem já viveu um tempo razoavelmente longo, considerando-se a expectativa de anos de vida, sofre alterações físicas e biológicas. Isso pede que se vá em busca de novas alternativas, novos procedimentos e novas soluções, para que a qualidade de vida seja preservada. Os antigos procedimentos eram bons para um corpo com características diferentes. Aliás, a busca de novas adaptações não ocorre só na fase da velhice; o que era bom para o bebê deixa de ser bom para a criança; o adolescente precisa adotar novos procedimentos, deixando para trás os que lhe eram eficientes quando ele era criança; e assim por diante. As modificações ocorrem também no plano psicológico, emocional, embora nos demos menos conta disso de que no plano físico. Há dificuldades subjetivas típicas da fase do envelhecimento. Por exemplo, a elaboração de perdas; a percepção da finitude da vida como um fato razoavelmente próximo; o ter consciência de que alguns sonhos não terão mais possibilidade de serem concretizados; a percepção de si próprio como uma pessoa em estado de mudança; a exigência de uma grande flexibilidade para que a nova etapa do ciclo de vida seja bem recebida e bem aproveitada, habilidade sobre a qual o idoso nunca pensou antes e para cujo exercício nunca de preparou. É voz corrente que ser adolescente é difícil, porque exige certos ajustes emocionais. Bem, ser idoso é tão ou mais difícil, porque ajustes emocionais também precisam ser feitos, só que ninguém toca nesse assunto. Para complicar mais a situação do idoso, é bom lembrar que também há mudanças na área das relações sociais: família, lazer, trabalho, finanças. Para aqueles que, enquanto adultos jovens, trabalhavam “fora”, como se costuma dizer, a aposentadoria é um vigoroso divisor de águas. Por alguns, recebida como uma bênção; por outros, como uma catástrofe... e em geral como uma surpresa!... Pode surgir o tempo livre, e o não saber o que fazer com ele. A reorganização da família tem que ser vivenciada pelo adulto maduro, novas fórmulas de convivência e novas definições de papel precisam ser descobertas, e isso não é nada fácil: pessoas que falecem, membros que são agregados através de casamento ou de nascimento, filhos que se tornam adultos e saem de casa, adultos idosos que perdem parte de sua antiga independência e passam a reclamar cuidados. Há também a questão dos rendimentos financeiros, que tendem a diminuir. A idéia que quero passar, estimulando que se reflita sobre tais fatos, não é uma idéia de pessimismo. É de desafio. Ser idoso é uma fase natural do ciclo de vida humana, e tem características próprias, que não aparecem ou não são importantes nas outras etapas. Viver é uma constante luta, um permanente corrigir a rota, para se manter voltado para o norte da boa qualidade de vida. Há boas recompensas para quem topa esse desafio com empenho, entusiasmo, sem preguiça nem acomodação. Ter consciência do dinamismo natural da vida – que se manifesta no corpo, no emocional e nas relações sociais – é um importante componente para se viver bem a fase da velhice.
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