Velhice não se define pela idade

Carol Binato*

O avanço do tempo nos atormenta muitas vezes. Ficaremos velhos, cairemos na ociosidade, nos tornaremos pessoas ranzinzas e sem perspectiva para a curta vida que nos resta? Ou mostraremos que a vida após os 60 anos tem seu encanto e que a idade não atrapalha nenhum tipo de atividade, seja ela física ou mental? Aproveitaremos cada segundo de nossas vidas como se fosse o último, sem medo de fazer papel de ridículo? As damas do vôlei que participaram do 13º Campeonato Brasileiro de Vôlei Máster escolheram a opção de provar a todos que idade avançada se torna um quesito sem importância quando o objetivo está centrado em ser feliz.

Sacar, realizar um impulso para o ataque, receber um passe de bola, dar um ‘peixinho’. Tudo isso nos parece atos impossíveis para uma senhora de 78 anos. A vitalidade que, infelizmente, falta em muitos jovens de 18 anos, transborda nessas atletas. Atualmente, batem de frente contra aqueles que acreditam na inutilidade de um ser humano após certa idade.

Essas senhoras, não pela data de nascimento, mas sim pela história de vida e garra, entram em quadra versus o preconceito de um pai ou da sociedade, contra a cultura machista de que o sexo feminino deve ficar em casa cuidando dos filhos ou que ‘idosas’ têm de fazer tricô e bolo de fubá para os netos.

Nós, jovens indivíduos, estamos em uma busca frenética pela felicidade e esquecemos de olhar para os lados. Entre elas não há essa preocupação porque sabem que a felicidade está ali, naquele momento. Pode ser durante um jogo, uma dança ou uma conversa entre amigas. Elas exalam vontade de viver intensamente e essa vitalidade impregna em quem estiver por perto.

Mulheres que carregam em sua bagagem esportiva títulos olímpicos, sul-americanos, brasileiros. E, para alcançá-los, passaram fome, disputaram provas sem sapatos e sem técnico. Como Aída dos Santos, exemplo de determinação e garra, que além de driblar todos esses obstáculos, enfrentou também o preconceito racial.

São atletas, psicólogas, professoras, empresárias e donas-de-casa que se dividem entre as tarefas do dia-a-dia: família, trabalho, esporte e baile dançante à noite.

Trabalhar ao lado dessas mulheres nos faz pensar quanto estamos ranzinzas e cansados com apenas 20 ou 30 e poucos anos e refletir: ficar velho se define pela idade ou pelo o que temos em nossas cabeças?

*Carol Binato, 25 anos, cursa o sétimo semestre de jornalismo no Centro Universitário Monte Serrat (UniMonte).
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Fonte: Por: Depto. Imprensa - Prefeitura Municipal de Praia Grande. Click Litoral, 19/6/2008. Disponível em: http://www.clicklitoral.com.br:80/09844-velhice-nao-se-define-pela-idade/