|
||
![]() |
|
A assistência no momento da morte em idosos terminais Ângela M. A. Soares ,
Nas últimas décadas, o número de pessoas portadoras de condições crônicas e/ou terminais tem aumentado significativamente. Dentre elas, as não-transmissíveis são as que mais preocupam, pois crescem em ritmo alarmante em todos os países, e com elas, o aumento das internações hospitalares. Esse aumento está diretamente ligado ao avanço tecnológico na área da saúde, que permitiu a criação de vacinas, unidades de terapia intensiva, diagnóstico precoce, novos medicamentos, enfim, todo um arsenal de recursos a fim de auxiliar no prolongamento da vida humana. Como conseqüência, houve uma mudança no perfil epidemiológico da população, de tal modo que os estabelecimentos de ensino encontram dificuldade em produzir profissionais de saúde ajustados a esse novo perfil. Por conseguinte, a formação predominante do profissional de saúde objetiva a cura do sujeito, o que não é viável em condições de terminalidade. A morte como verdade inexorável, a não elaboração da morte como processo perpassa cada profissional, enquanto ser humano. A dor do sujeito não se cura, mas se transforma, tornando-se algo estruturante, constituindo-se em si mesma parte do sujeito. Assim, a finitude gera, para o mesmo, a consciência de ser. Portanto, o surgimento desta consciência não se dá sem a morte. A idéia de humanizar – tornar humano – perpassa pela idéia de finitude, ser mortal. A geração da consciência somente se faz com incontáveis mortes simbólicas; tal qual como separações, perdas de pessoas próximas, de animais de estimação, perda do lar, enfim através da elaboração da morte de várias formas. Após essas elaborações, o sujeito torna-se consciente da finitude do Ser, bem como da sua capacidade de lidar com os fatos novos da vida. Para compreender melhor esta questão, iniciamos uma pesquisa que tem como proposta o levantamento do perfil dos profissionais de saúde ante a terminalidade do seu semelhante, a fim de se estabelecer seu perfil. Neste estudo está sendo desenvolvido um questionário com o propósito de estudar o posicionamento da equipe profissional ante o paciente, que será posteriormente analisado, a fim de determinar o perfil da equipe. Como base de análise, será utilizada a perspectiva filosófica do biopoder, de Foucault, buscando inferir os elementos predominantes na relação cuidador/assistido. Além disso, serão analisadas diversas grades curriculares referentes aos cursos de formação desses profissionais, a fim de constatar se há nestes cursos disciplinas voltadas ao preparo psicológico dos profissionais ante a terminalidade de seus semelhantes. Com isso pretende-se discutir se a relação de poder que se exerce sobre o corpo do outro é um dos fatores que desencadeiam e norteiam as atitudes dos profissionais de saúde sobre os sujeitos sob sua responsabilidade. Embora seja uma proposta em andamento, pode-se desde já assinalar que a abordagem diferenciada em relação ao biopoder nos conduz a um paradigma; o que norteia a atitude multiprofissional. Referências
Mestranda em Gerontologia PUC/SP, angela.maria.amaral@hotmail.com. Financiamento: Hospital de Retaguarda Francisco de Assis. |
![]() |