Mogi inaugura o Pró-Hiper

Mogi das Cruzes (SP) - Cerca de 8% da população mogiana, num total aproximado de 30 mil pessoas, segundo o Conselho Municipal do Idoso, têm 60 anos ou mais. Na Cidade, foi inaugurado o Pró-Hiper, voltado à faixa etária. Há 12 programas para beneficiar os mais velhos. Apesar das ofertas de prestações de serviços, ainda existe muito a ser feito, afirma o presidente do Conselho, Alfredo Morlini, mais conhecido como Padre Vicente. Mogi das Cruzes precisa de um local para abrigar os idosos carentes com doenças crônicas, que dependem de longa internação.

Também há o desrespeito ao Estatuto do Idoso na prioridade de atendimento em bancos, órgãos públicos e supermercados, por exemplo. O sacerdote destaca ainda que, entre as denúncias de maus-tratos à categoria no Município, a mais comum é o uso abusivo da aposentadoria. Agressões físicas e abandono, que na maioria das ocorrências tem como causas questões financeiras, também são problemas.

"Em geral o abandono é causado por dinheiro, herança, divisão de bens", comenta.

Casais sem filhos são mais vulneráveis. "A falta de filhos, aliada à fragilidade até por questões de saúde, muitas vezes facilita a ação de vizinhos ou demais parentes contra estes idosos".

Segundo Morlini, está programado para dezembro o início do funcionamento de um hospital do Pró+Vida na Vila São Sebastião e que terá 34 leitos. "Já temos outro projeto para construir, ao lado deste, outra unidade com igual capacidade. Quando as duas estiverem funcionando, chegaremos a 68 vagas disponíveis. Precisamos desafogar os leitos dos hospitais, que dependem da rotatividade para atender o restante da população", diz o padre, que acredita que pelo menos 200 idosos estão nas condições de abandono e doentes. "Mas muitos ainda querem retornar à família", diz.

Os maus-tratos são outra dificuldade apontada pelo sacerdote. "Temos casos de agressões físicas, de abandono, de pressão moral. No geral, as pessoas cometem a violência com interesse no dinheiro dos mais velhos. Quando o idoso tem relação harmoniosa com a família, é comum a aposentadoria servir de reforço ou até ser a principal fonte no orçamento", afirma.

Para combater os problemas, orienta o padre, o melhor caminho é denunciar. "Para isso temos o Cerim (Centro de Referência do Idoso de Mogi das Cruzes, que presta orientação social, médica e jurídica). É muito fácil enrolar o idoso. Ao conseguir a senha do cartão, por exemplo, uma pessoa pode enganar o idoso com muita facilidade e tirar-lhe todo o dinheiro. As denúncias são a forma mais eficaz de evitar com que novos casos aconteçam ou para interromper um que já está ocorrendo".

A Cidade também precisa, na opinião do padre, descentralizar os programas sociais em funcionamento. "O Centro de Convivência do Idoso (que promove atividades recreativas) é excelente. No entanto, existe apenas em seis bairros. É pouco. É preciso ampliar os núcleos nos bairros porque a população precisa saber envelhecer da maneira correta. São imprescindíveis fisioterapeutas, psicólogos, entre outros".

Entre março e julho deste ano, Morlini desenvolveu em Mogi o projeto Cidade Caminho, por meio do qual visitou 1.731 idosos em 37 bairros diferentes. O objetivo do projeto foi o de levantar junto à faixa etária quais são as necessidades específicas. "Os dados ainda estão sendo tabulados. Nossa intenção é divulgá-los em setembro".
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Fonte: Extraído do texto de Caroline Lopes de O Diário Online, 8/8/2008.
http://www.odiariodemogi.inf.br:80/noticia_view.asp?mat=10661&edit=6