Longevos e flexíveis de corpos e mentes
Magros, boa capacidade funcional física e cognitiva, saúde em dia e resilientes. Estes são alguns itens que compõem o perfil das pessoas com cem anos ou mais, que vem sendo traçado por pesquisadores e cientistas desde a década de 1980 dedicados ao estudo desse grupo populacional.
A receita para a vida longa ainda não está pronta. Até agora, entretanto, os fatores genéticos, o estilo de vida e também questões emocionais são apontados como os principais responsáveis por essa longevidade. Os centenários não se estressam muito, têm boa adaptação psíquica e enfrentam com tranqüilidade as adversidades da vida. Por isso considerados resilientes (elásticos).
Há, entretanto, ainda muito caminho a ser percorrido até serem descobertas as diferenças no organismo dos centenários -em relação aos octogenários e nonagenários, por exemplo - que são determinantes para sua longevidade.
Especificidades
Isso porque, explica o professor de Geriatria da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Ceará (UFC), João Macêdo Coelho, as pessoas com 100 anos ou mais integram um grupo com particularidades específicas que as diferenciam dos demais.
Só para se ter uma idéia, enquanto os octogenários contraem doenças degenerativas e passam anos vivendo com alto grau de dependência, os centenários possuem vida longa e ativa, sem grandes incapacidades. Chegam a idade extrema sem grande morbidades. “O tempo de incapacidade deles é o mínimo possível”, diz. Além dessas diferenças, acredita-se que do ponto de vista genético, o processo de envelhecimento dos órgãos dos centenários é mais lento. As mulheres que atingem cem anos ou mais, por exemplo, possuem grandes chances de engravidar após os 40 anos de idade.
No Brasil, as pesquisas sobre o assunto ainda são poucas. Nos Estados Unidos, entretanto, desde 1994, um grupo de cientistas da Universidade de Boston, estuda o tema. A intenção é esclarecer qual a genética da longevidade, os mecanismos geradores desse desenvolvimento. A partir do momento em que se tenham essas respostas, explica Macêdo, haverá a possibilidade de criar estratégias farmacológicas que, pela primeira vez, poderão interferir no processo de envelhecimento. Até agora, conforme ele, o que existe são ações fragmentadas, sem uma estratégia reconhecidamente eficaz.
Sucesso
- 42% dos centenários desenvolvem doenças relacionadas a idade só após os 80 anos
- A taxa de envelhecimento é mais lenta
- 15% dos centenários não possuem nenhuma doença relacionada à idade como demência, osteoporose, incontinência urinária. Artrite e problemas de visão e audição são as exceções
- Poucos são obesos. A maioria dos homens são magros
- 30% deles não possuem nenhuma alteração de raciocínio. Não ficam dementes
- 50% possuem parente de primeiro grau que atingem idade muito avançada
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Fonte: Diário do Nordeste, 27/7/2008.
http://diariodonordeste.globo.com:80/materia.asp?codigo=558470
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