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Método para tratar mal de Alzheimer chega ao Brasil em agosto De repente você começa a sofrer com perda de memória. O comportamento fica agitado e ansioso. A personalidade muda. Ambientes, como a casa do amigo ou do filho, e até as pessoas do convívio rotineiro se tornam estranhos. A tristeza toma conta e vem o diagnóstico: mal de Alzheimer. A doença, que ainda não tem cura, atinge até 3% da população entre 65 e 74 anos. E muitas vítimas demoram anos para descobrir que sofrem do mal. O tratamento farmacológico ainda é pouco eficaz e diante desse cenário, a alternativa tem sido o uso de terapias não medicamentosas. Importado dos Estados Unidos, um desses métodos terapêuticos, que envolve terapia ocupacional, ambiente seguro, visita a museus e convívio com outros pacientes, começará a ser usado no Brasil a partir de agosto. Este método foi criado pelo arquiteto e sociólogo norte-americano John Zeisel, presidente e co-fundador do Hearthstone Alzheimer Care, uma rede de atendimento especializada em pacientes portadores da doença, uniu diversas abordagens que eram usadas isoladamente - na casa do próprio paciente - e transformou-as em um ambiente em que cada indivíduo se sente seguro e independente. Com intervenções na arquitetura e promoção de atividades interativas, Zeisel proporciona bem-estar aos pacientes e faz com que eles se sintam seguros para tomar atitudes dentro daquele ambiente. Entre as principais características desses espaços está o fato de um corredor sempre levar a algum destino. Os pacientes com Alzheimer tendem a ficar nervosos ao se depararem com uma parede no fim do corredor. Ainda que seja um banheiro, é preciso que haja algo. Nessas casas, os pacientes participam de atividades culturais e têm aulas de pintura. Mesmo com todo esse preparo, a família ainda exerce papel fundamental no tratamento dessas pessoas e Zeisel frisou esse ponto quando veio ao Brasil explicar a abordagem. São os familiares que possuem todas as lembranças. Ao citar o que considera os quatro males do Alzheimer - apatia, agitação, ansiedade e agressividade, Zeisel afirma ser possível reduzir esses sintomas com o método que ele inventou. 'Com esse tratamento, há menos sintomas e menos efeitos colaterais. As drogas combinadas a essa terapia apresentam eficácia mais satisfatória. Em muitos casos, até deixamos de usar alguns medicamentos (como sedativos e estabilizadores de humor).' Para Paulo Renato Canineu, médico geriatra e diretor científico do Hiléa - centro de tratamento que importou o método americano e começa a funcionar em agosto, na capital paulista -, a convivência com outros doentes é uma das chaves dessa abordagem. A progressão da doença é desacelerada. 'Com a medicação o controle é por dois anos. A combinação das duas terapias, farmacológica e não farmacológica, pode ampliar esse período em mais dois anos.' Geriatra explica o motivo do aumento dos casos da doença Em 2004, a população com mal de Alzheimer era de 24,3 milhões no mundo, sendo 1,5 milhão somente no Brasil. No mesmo ano, o número de pessoas com a doença era de 36 mil no Pará e nove mil em Belém. Estimativas apontam um crescimento de 4,6 milhões de novos casos a cada ano e até 2040 este número deverá chegar a 81,1 milhões. Para a coordenadora científica da Associação Brasileira de Alzheimer - Pará (Abraz-PA), geriatra Isabella Grandi, o número de portadores de Alzheimer está crescendo porque a população mundial está vivendo mais. 'É uma tendência mundial causada pela queda da natalidade e do aumento da longevidade', diz. Segundo ela, ainda falta um maior esclarecimento por parte dos familiares dos pacientes para identificarem nestes algum sinal de Alzheimer. 'Eles devem ficar alertas aos sintomas como perda de memória, alterações de sono e outros. De acordo com o tipo de sintoma, o idoso pode ser levado ao psiquiatra, neurologista ou geriatra, pois estes três profissionais estão habilitados para fazer o diagnostico', ressalta. Práticas adotadas - Criação de espaços para que eles saibam onde estão. - Esconder e controlar as saídas perigosas. Os pacientes tendem a buscar, por exemplos, portas de vidro iluminadas pela luz solar. - Fornecer trilhas para caminhadas com destinos estabelecidos (a parede tem que ser diferente do chão para que eles identifiquem onde acaba o chão e começa a parede. Os corredores devem levar a algum destino). - Espaços privados e pessoais (quartos com fotos dos filhos, amigos e objetos pessoais). - Jardim (espaço terapêutico e seguro, de preferência com muro elevado para evitar contato com mundo exterior). - Maximizar autonomia e independência. - Verificar impulsos sensoriais. Como lidar com pacientes - Dê respostas para estimular o diálogo. Exemplo: meu nome é João. Qual é o meu nome? (com o tempo, o ideal é que se aumente o intervalo entre a resposta e a pergunta para treinar o cérebro). - Mantenha e incentive o diálogo com perguntas. - Use arte e envolvimento comunitário. _______________________________
Fonte: CES - Conselho
Estadual de Saúde.
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