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David Shaftel, em Los Angeles Apesar de mais lento com a idade, Ray Bradbury ainda fala com exuberância. Prejudicado por um derrame em 1999, atualmente ele dita seu trabalho por telefone para uma filha no Arizona, que grava e transcreve-o antes de enviar as edições de volta por fax. Bradbury trabalha em uma cadeira de couro ampla, em um escritório coberto de estantes de textos de história e fitas de vídeo de filmes clássicos. O quarto está lotado com modelos de dinossauros, foguetes e o submarino de Jules Verne, Nautilus, seu próprio Emmy empoeirado, o Oscar de um amigo e uma televisão de tela plana de 52 polegadas em nada diferente das pressagiadas em "Fahrenheit 451". "Estou cercado de metáforas", disse Bradbury, que admite que a ciência em seus livros freqüentemente é falha e serve apenas como veículo para sua ficção. Ele fornece a inspiração, diz ele, e deixa os cientistas se preocuparem com os detalhes. "As artes e as ciências estão conectadas", continuou. "Cientistas têm que ter uma metáfora. Todos os cientistas começam com a imaginação".
Ray Bradbury faz 87 anos no dia 22 de agosto. Enquanto isso, o autor celebrado de ficção científica e fantasia está fazendo uma espécie de volta da vitória, minando seus extensos arquivos em busca de trabalhos raros e não terminados. Ele vai publicar várias obras há muito esquecidas neste verão, inclusive versões experimentais e escritos antigos. Em setembro, William Morrow vai lançar "Now and Forever", uma coleção com os contos nunca lançados "Leviathan '99" e "Somewhere a Band Is Playing". Uma edição limitada desse último será lançada simultaneamente por uma editora independente. Isso fecha um ano no qual Bradbury foi premiado com uma citação especial de carreira do Pulitzer. Bradbury começou a escrever "Leviathan 99", que descreve como "Moby-Dick no espaço", nos anos 50; apesar de tê-lo revisitado esporadicamente durante os anos, foi planejado originalmente como roteiro de rádio para Norman Corwin. A história é sobre Ishmael Jones, que acompanha um capitão cego e maníaco da "maior espaçonave jamais construída", atrás de um grande cometa branco. "Bradbury vem trabalhando nisso há mais de 50 anos, então temos muitas variações com as quais brincou", disse Hoffman. Algumas versões são "mais pessimistas" do que o documento final, disse ele. Bradbury diz que começou "Somewhere a Band Is Playing" depois de ver Hepburn em "Summertime". "Com os anos, continuei trabalhando nele porque conhecia Katharine Hepburn e esperava poder terminar o livro e dá-lo a ela, para que pudesse fazer um filme com ele", disse ele durante recente entrevista em sua casa no bairro de Cheviot Hills, em Los Angeles. "Mas os anos se passaram". A jornada literária de Bradbury começou com a revista Futuria Fantasia, que ele auto-publicou quando tinha 18 anos, em 1939. As quatro edições da revista foram reunidas em uma antologia e reeditadas no mês passado, pela Graham Press. A revista foi patrocinada por Forrest J. Ackerman, um dos maiores fãs de ficção científica, que teria cunhado o termo sci-fi; somente 100 cópias originais foram impressas. Elas continham os primeiros trabalhos de luminares da ficção científica como Hannes Bok e Robert Heinlein. Fonte:
The New York Times, reproduzido pelo Uol Mídia Global, 22/8/2007.
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