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A (re) socialização do idoso e as novas competências
José Bernardo Enéias de Oliveira** Elisabeh Frohlich Mercadante
Objetivo: Analisar o processo de (re) socialização do idoso, reconhecendo as suas capacidades funcionais e cognitivas, para a sua inserção e participação no mundo contemporâneo, visando o seu aprendizado de novos valores e as novas competências, além dos obstáculos para esta aquisição, tais como as reações aperceptivas e as variáveis subjetivas.
Desarrolo: A grande marca da velhice é a sua identidade estigmatizada pela deterioração física e mental, seguida da exclusão de não mais reproduzir – se socialmente através das suas competências. O conteúdo deste estudo foi fundamentado na discussão da ontologia do ser social, na concepção de George Lukács, para viabilizar a (re) socialização do idoso na ótica do trabalho e as novas possibilidades, com o enfoque no processo de adaptação as exigências da modernidade e a aquisição de novos valores. Para a existência da autonomia do idoso, são necessários o desenvolvimento de novas habilidades e o reconhecimento das suas possibilidades, alem da auto-estima e a eliminação das variáveis que inibem o processo da aprendizagem, como base da (re) socialização. A comunicação, na ação social, viabiliza o aprendizado e a (re) socialização dos valores, alem de representar e reproduzir a identidade do individuo, levando em conta as variáveis do meio que o agrega. Muitas vezes essas variáveis podem bloquear o processo socializador, interferindo na conduta destes indivíduos. Para o idoso, estas variáveis, muitas vezes, são de ordem psicosocial, que prejudicam a sua autonomia funcional e a independência. Destaca-se a interferência emocional, como significativo bloqueador da cognição e as decisões de ordem lógica, inclusive para a solução de problemas, condição importante nas mudanças de atitudes no processo da inserção na sociedade. A reprodução social, quando submetida ao processo econômico na ótica do trabalho, é prejudicada pelas questões emocionais que levam esses idosos às doenças depressivas e a perda da autonomia. Nas discussões que embasam a importância do aprendizado na (re) socialização do idoso, a cognição, como sinônimo de entendimento e desenvolvimento lógico, tem dependência nas células nervosas, os neurônios, condições que determinam os estímulos das ações que resultam nas habilidades. Existem estudos que definem a perda das células nervosas no processo de envelhecimento, porem, há descobertas cientificas de regeneração do cérebro, que possibilitam a conservação das faculdades mentais; inteligência e memória, através do uso constante da reflexão. Estes são dados importantes para a reintegração do idoso na sociedade, apesar dos obstáculos e preconceitos sociais, que os levam a exclusão social. O idoso tem o potencial de trabalho, que o conduz à melhora da qualidade de vida, utilizando desta potencialidade para a renda própria, como alternativa de autonomia . Todavia, quaisquer processos de autonomia, dependem de condições mínimas para a sobrevivência, que são inerentes a qualquer ser humano. Para o geronte esta situação é critica, quando se trata da saúde, alimentação, transporte, moradia e outros fatores que interferem na sua socialização. A dinâmica da competência, na reprodução social, enquanto novas possibilidades de renda ao idoso, consideram a sua potencialidade, para a autonomia funcional e cognitiva, frente às adversidades socioeconômicas, inerentes a sua sustentabilidade. A própria historia da revolução industrial explica que o processo de mudança é cíclico e sempre interferiu nos modelos produtivos e, conseqüentemente, nos valores do homem. O processo de mudança social causa impactos relevantes, tanto no modelo social existente, assim como no próprio comportamento do individuo que vive a situação, dando a idéia do caos social. O homem consegue retomar o equilíbrio e adaptar-se as condições impostas pelo meio. O idoso faz parte deste processo. A economia capitalista esta se tornando consciente da transformação social e sabe que o mundo esta envelhecendo. A discussão da longevidade é evidente no meio político e empresarial, através de diferentes movimentos que contribuem para a inclusão das pessoas com faixa etária acima dos sessenta anos.
A partir de nossa analise inicial, a apercepção dos idosos em relação a si próprio e a sociedade, é responsável por grande parte das dificuldades apresentadas nesta faixa etária, alem das questões que envolvem as políticas públicas, no que tange as necessidades básicas de sobrevivência. A maneira distorcida de como os idosos avaliam a realidade e como a sua identidade é construída são também responsáveis pelo seu afastamento social. Questões relativas ao envelhecimento dos órgãos vitais, inclusive o sistema nervoso, são discutidas e analisadas, mas não indica necessariamente o fim das atividades dos idosos. Assim, nada os impedem de serem independentes e a sua potencialidade ser reconhecida, razão pela qual a ciência passou a dar mais ênfase as estas pesquisas. São verificados os estudos que sustentam a plasticidade cerebral e o poder de regeneração das células nervosas, enquanto fator de aprendizado às novas situações, bem como as habilidades cognitivas e funcionais. Todavia, a questão emocional, no que tange ao sentimento de fracasso, debilita quaisquer interações sociais e a transação com o mundo. Tal situação é a que encontramos em nossos sujeitos idosos, através das pesquisas tratadas pelos métodos SPSS - Statiscal Package For Social Sciences e SPAD – Système Portable d’Analyse dês Données que analisaram as questões psicossociais, assim como, mediante a Técnica de Apercepção para Idosos e Adultos – SAT (Manual for the Sênior Apperception Technique), foram pesquisados as reações aperceptivas destes sujeitos, acreditando existir um forte sentimento de inferioridade e inadequação construídas ao longo de um processo cultural, que tem forte influencia na maneira destes idosos se interagem com o meio. Toda restrição social imposta aos idosos e eles a si próprios acarretam na perda de decidir e a capacidade de realizar algo por seus próprios meios, condições que a sociedade tem que ajudar a promover e os idosos, a saber conquistar novamente. As mudanças sociais implicam em novos modelos do perfil das pessoas, acarretados pela velocidade imposta pela era do conhecimento. Defendemos ao longo do desenvolvimento deste estudo, a noção das possibilidades de adaptação do ser humano idoso a sociedade como um todo, enquanto condição de sobrevivência. Afastamos a idéia de incapacidade na velhice, mesmo conscientes dos processos do envelhecimento biológico, incluindo o cérebro, propulsor da cognição, veiculo importante do aprendizado e inserção aos novos modelos sociais. Investigamos as questões dos possíveis transtornos emocionais, que resultam os distúrbios psicológicos na velhice, através das reações aperceptivas, acarretando em impedimentos a (re) socialização, sobretudo quando é um determinante mais pessoal que social. Na amostra pesquisada , totalizada em 125 idosos, subdivididos em 29 pessoas idosas do sexo masculino e 96 pessoas idosas do sexo feminino, as quais representam 6,6% da população de estudo de 1900 idosos. Estes idosos situam-se nas faixas etárias de 60 a 90 anos, cuja classificação foi baseada no modelo proposto por Ian Stuart-Hamilton (2002, p.217). Para o estudo psicossocial foram aplicados dois questionários conduzidos de forma individual, previamente elaborados e subdivididos em três grande áreas de importância: 1) Motivo da busca de novas possibilidades de renda; 2) dificuldades encontradas na adaptação, para o processo de (re) socialização e, 3) os motivos que prejudicam no aprendizado de novas possibilidades de trabalho. No estudo das reações aperceptivas, considerou-se as hipóteses das variáveis aperceptivas, que supostamente influenciam na cognição do idoso, ou seja, a sua interpretação que altera a conduta, através dos modelos subjetivos interferindo no entendimento dos valores para a (re) socialização. Para elucidar as soluções de problemas e desenvolver novas habilidades, o idoso necessita ter na sua estrutura biológica e neurológica, condições mínimas que viabilize estas ações, muitas vezes se tornam “incompetentes “, face ao sentimento de inutilidade e auto - estima rebaixada. Após a pesquisa sobre estes idosos, que possibilitou entender como a sociedade os acolhe e eles viabilizam esta inserção, buscou-se alternativas que conseguissem avaliar os bloqueios emocionais, que supostamente, interferem no processo cognitivo dos mesmos. Através da aplicação e interpretação do Teste de Apercepção para Idosos – SAT ( Manual for the Sênior Apperception Technique ), técnica que reproduz em reações diretas as circunstancias estressantes e emocionais, transformadas em variáveis bloqueadoras deste grupo etário, tentou-se estabelecer estímulos que permitissem uma análise aperceptiva dos sujeitos analisados, através de estórias de auto-referencia, para conhecer a dinâmica da sua personalidade. Esta técnica projetiva é um método importante para medir os conteúdos dos sentimentos e atitudes dos sujeitos em relação à velhice (Bellak, 1992, p. 15). Para Bellak ( 1992, p.6) o SAT enquanto técnica projetiva, diz respeito às formas especificas do estado de depressão; solidão ou raiva, que o idoso pode assumir, em relação a seu modo de interpretar os estímulos do ambiente. Estes estados emocionais têm um significado especifico no conjunto de circunstancias que já precedem nas suas experiências passadas desencadeando novos sentimentos. A variável subjetiva, de sentimentos originados de distúrbios psicológicos, interferem na interpretação e, conseqüentemente, no aprendizado do idoso. Buscamos a sustentação desta possibilidade em Pfeiffer e Busse, nos distúrbios psicológicos que ocorrem comumente na velhice citado por Bellak & Bellak ( 1992, p.5). Escolhemos como orientação de análise , os estímulos cognitivos, que explicitam os pensamentos e sentimentos, entre os idosos susceptíveis as reações aperceptivas, utilizando – se de laminas previamente selecionadas em seis dimensões, que estimulem os conteúdos cognitivos: 1) interação social; 2) questões de natureza financeira; 3) sentimento de autonomia funcional; 4) isolamento socioeconômico; 5) alteridade com o jovem e a 6) necessidade interior. Sendo que, neste ultimo estimulo, a necessidade interior, consideramos o descansar; dormir; sonhar e outros sentimentos relativos aos indícios que interpretem o fracasso ou não deste sujeito idoso. Para a mensuração da reação aperceptiva dos idosos em relação aos estímulos cognitivos apresentados, adotamos a quantificação das palavras e situações interpretadas por estes, a partir das narrativas das estórias. Para a quantificação das palavras e situações interpretadas pelos idosos estudados, foi elaborado uma tabela de reação aperceptiva cognitiva, na qual são considerados no mínimo a aparição de uma palavra e/ou situação apercptiva, como demonstrado a seguir:
TABELA DE REAÇÃO APERCEPTIVA COGNITIVA EM RELAÇÃO O NUMERO DE PALAVRAS E SITUAÇÕES OCORRIDAS NAS INTERPRETAÇÕES DO SAT:
Ao que se refere aos estados emocionais dos idosos pesquisados, pressupõe- se uma interferência na sua (re) socialização , a partir do momento que esse individuo cria reação aperceptiva quando os seus sentimentos de auto – estima e autonomia não são incentivados ou, apresentam uma vida social inativa e não estimulante. Neugarten, citada por Bellak & BellaK ( 1992, p. 13-14) ao tratar da “ Teoria de não envolvimento”, tem a proposição inicial nas suas pesquisas que: “as pessoas idosas experimentam uma queda no envolvimento emocional durante o processo de envelhecimento e por esse motivo, fogem das atividades que, algum dia, caracterizaram suas vidas”. Esta Teoria é verificada nos resultados dos questionários aplicado nos idosos estudados, quando da sua preferência em manter a rotina do dia-a-dia. A hipótese da pesquisadora era que os idosos desengajados dessas atividades mantinham “ um senso de bem estar psicológico e de satisfação com a vida ( Neugarten, 1972, apud Bellak & Bellak, 1992,p.14).” . Em estudo posterior, Neugarten descobriu que “as pessoas idosas que eram socialmente ativas e envolvidas conservavam um alto grau de satisfação com a vida”. A partir deste processo foi possível a construção de uma tipologia que resultou nas hipóteses de pesquisa , que estão focadas nos valores de interação individuo – sociedade e a autonomia funcional, enquanto pré –disposição à (re) socialização . A relação entre as variáveis e margem de erro que demonstram o processo de (re) socialização destes idosos, é verificado na tabela a seguir, sendo que, os indicadores de maior relevância a este estudo são as variáveis situadas na margem de erro abaixo ou igual (£) a 0,05.
ANÁLISE DAS VARIÁVEIS PESQUISADAS, QUE SUSTENTAM AS POSSIBILIDADES DA INSERÇÃO DO IDOSO NO MERCADO DE TRABALHO, LEVANDO EM CONTA OS FATORES PSICOSSOCIAIS:
Estas variáveis são hipóteses importantes para este estudo,
tais como: sustento próprio (0,000); faixa etária (0,006),
neste caso as situadas entre 60 a 74 anos e, preencher o
tempo vago (0,008), demonstram ser os indicadores de busca de
novas possibilidades de renda. No que tange as dificuldades
encontradas para a adaptação no processo de (re) socialização, as
variáveis: decorrência da idade (0,000); novas exigências do
mercado (0,007); falta de escolaridade (0,037) e a falta de
capacidade profissional (0,054), incluindo esta ultima, embora
não estar dentro da margem de erro esperada, dão a conotação de
dificuldades a estes idosos pesquisados. A variável “ não
encontrou dificuldades “(0,000), tem um significado particular
nesta pesquisa, dado a sua interpretação de incoerência aos
resultados apresentados. Todavia, modelo de “Negação” pelos idosos,
considerados como característica de “mecanismos de defesa”. Para os
motivos que prejudicam o aprendizado de novas possibilidades de
trabalho, consideração relevante ao processo de (re) socialização do
idoso, principalmente no contexto da cognição e adaptação aos novos
valores sociais, a analise ressalta como padrão nas respostas destes
idosos, a dificuldade de entendimento (0,001); a falta de apoio da
família e amigos (0,005); a preferência em manter a rotina do
dia-a-dia (0,000) e o receio de atingir metas (0,007). Tais
observações nos levam a inferir que esses indivíduos são
influenciados por necessidades pessoais e as condições do meio onde
vivem. As atitudes das pessoas são modelos próprios e específicos
para chegar ao objetivo proposto, através da experiência e a
aprendizagem, desenvolvendo novas habilidades, não necessariamente
uma nova profissão, mas a possibilidade de demonstrar a sua
capacidade e valorizar a sua experiência. Conclusiones: A análise das variáveis pesquisadas, escolhidas como sustentação da possibilidade de inserção do idoso no mercado de trabalho, na ótica dos fatores psicossociais, sugere como hipóteses de interferência neste processo de (re)socialização dos idosos pesquisados, o seguinte:
1. Os idosos pesquisados, situados na faixa etária de 60 a 74 anos, estão mais susceptíveis a intervenção das variáveis pesquisadas; 2. Na questão de gênero, as idosas do sexo feminino, apresentam maior deficiência no processo de (re) socialização. A idosa do sexo feminino apresenta a maior esperança de vida em relação ao idoso do sexo masculino, desta forma, ressaltamos a possibilidade de maior contribuição na sociedade; 3. As dificuldades encontradas na adaptação do processo de (re)socialização, através do trabalho, estão em decorrência da idade; novas exigências do mercado de trabalho; falta de capacitação profissional e a falta de escolaridade. 4. Os motivos que prejudicam no aprendizado de novas possibilidades de trabalho são a dificuldade de entendimento; falta de apoio da família e amigos; preferência em manter a rotina do dia-a-dia e o receio em atingir metas. Sendo que nestes dois últimos motivos, são condições particulares a cada idoso pesquisado, considerando o aspecto psicológico e social.
Os estados emocionais têm um significado especifico do
conjunto de circunstancias que os idosos experenciaram na sua vida.
As reações aperceptivas estão evidentes na quase totalidade dos
idosos pesquisados da amostra, principalmente aqueles com isolamento
social e com ocupações restritas. A utilização do SAT nos fez
entender que ele próprio, o idoso, tem grande
responsabilidade nas dificuldades de (re) socialização, em face das
reações aperceptivas que os levam a anular seu potencial criativo; a
autonomia; a independência cognitiva e funcional, substituída pelo
estigma da “incompetência”. Na aplicação dos estímulos aos idosos
pesquisados, observou-se a necessidade destes em demonstrar a
eficiência e agilidade nos resultados requeridos, mesmo deixando
transparecer certa ansiedade, nos instigando a inferir o seu receio
em errar e expor-se à nova situação. Outro dado relevante a esta
aplicação, é a tendência do sujeito idoso em querer demonstrar a
maior auto-estima e segurança de si, quando sendo observado por outra
pessoa. Tal característica não foi percebida naqueles idosos
socializados por algum tipo de ocupação e/ou vivendo e interagindo
socialmente. A baixa auto estima apresenta-se mais freqüente naqueles
confinados a uma atividade do lar ou submetidos a alguma rotina do
dia-a-dia. Para os idosos inseridos socialmente, as respostas são
mais elaboradas; criativas e sem a preocupação do tempo de conclusão.
Segundo alguns autores, o déficit cognitivo; a dificuldade de
concentração e a criatividade estão relacionados aos transtornos
emocionais e o desuso das habilidades adquiridas (Beres, 2002, p.
67-75). Para Ian Stuart- Hamilton os idosos têm o declínio da
inteligência fluida: passam a ter dificuldades em resolver problemas
e criar situações novas. As suas habilidades intelectuais têm muito a
ver com a saúde e o tipo de atividade que exercem (2002, p.64-66).
Buscamos sustentação desta possibilidade em
Pfeiffer e Busse, nos distúrbios
psicológicos que ocorrem comumente na velhice citado por Bellak &
Bellak ( 1992, p.5). Diante destas colocações, pudemos
observar que durante a estimulação cognitiva dos idosos pesquisados,
eles tiveram tempo de reação das respostas alteradas conforme a sua
participação no meio social, independente do gênero ou faixa etária.
. O tempo de reação é a medida do tempo necessário para que
uma pessoa responda ao aparecimento de um estimulo: “quanto menor
o tempo de reação, mais rápido a pessoa esta utilizando o seu
intelecto... Os idosos tornam-se mais lentos ao tempo de reação, pois
possuem processos mentais mais lentos ( Ian Stuart –
Hamilton, 2002, p.57-60)”. Em nossos estudos, o tempo de
reação teve uma conotação de resposta ao estimulo diferente ao
proposto por Ian Stuart - Hamilton, a lentidão intelectual foi
presente, principalmente, naqueles idosos inativos funcionalmente
e/ou intelectualmente. Os idosos que exercem uma ocupação de renda ou
de interação social, bem como uma referencia de maior uso dos
processos cognitivos nas suas atividades passadas, de atribuições com
decisões e/ou discernimento, o tempo de reação foram considerados
menores. O psicólogo Adler enfatiza que o conceito de mundo de uma
pessoa é o determinante de seu comportamento e, considera:
“Aceitamos passivamente a influencia de todas as forças externas,
cujas experiências são codificadas e interpretadas de modo seletivo,
autodesenvolvendo em nós um esquema de apercepção individualizado da
realidade e formando um modelo próprio de relacionamento com o meio
ambiente” (Adler, 2005,p: 1 a 6). Os relacionamentos
sociais são de importância central nas teorias de Adler, os quais são
essenciais no desenvolvimento de um estilo de vida construtivo e
realizador. Este pesquisador especifica três situações que tendem a
resultar em isolamento; falta de interesse social e deterioração
emocional: a) As pessoas com inferioridade orgânica tornam-se autocentradas, fogem da interação com os outros por um sentimento de inferioridade ou incapacidade. Na visão deste estudo, a baixa autonomia funcional esta mais envolvida com os distúrbios emocionais que propriamente orgânicos, caso contrario não teríamos pessoas acima de 75 anos exercendo atividades públicas e assumindo responsabilidades, inclusive com ações sociais; b) A superproteção dificulta o sentimento de interesse social, diminuindo a confiança do idoso em suas próprias habilidades. Ao correlacionar a baixa autonomia cognitiva, alterada com o desuso do cérebro e o excesso de proteção ao idoso, com a pesquisa da apercepção através do SAT, vimos o melhor resultado junto aos idosos que possuíam atividades sociais e continuidade das suas ocupações, enquanto forma de renda, justificando a sua inclusão social; c) A rejeição faz com que as pessoas percam a confiança em suas habilidades, podendo tornar-se frias e duras. Os resultados obtidos através do SAT, nas aplicações dos estímulos que envolviam a baixa auto –estima e a tendência ao processo depressivo, os idosos em isolamento social ou solitários, bem como os submissos pela própria característica da personalidade, as suas respostas eram pessimistas e sem o interesse em quaisquer envolvimentos nas novas possibilidades de trabalho e/ou inserção social. A esta situação, verificamos no delineamento estatístico dos resultados da pesquisa junto aos idosos pesquisados, quando estes demonstraram o “ o receio em atingir metas”, sugerindo a perda da confiança em suas habilidades, como proposto por Adler. Tais situações servem de reflexão aos resultados da apercepção do idoso, sobretudo, quando distorce a sua realidade individual, meio ou em alteridade com os jovens, levando-os a “Negação” dos fatos que denotam a eles idosos, a fragilidade ou incapacidade, bem como a não autonomia funcional, condições que os insere socialmente. Isso é verificado nos resultados da análise psicossocial deste estudo, durante a aplicação dos questionários e a estimulação cognitiva através do SAT. Retomamos a colocação teórica de Bellak ao comentar: “Os distúrbios psicológicos que comumente ocorrem na velhice tendem a ser reações diretas simples as circunstâncias estressantes, utilizando mecanismos de defesa psicológicos relativamente simples, até mesmos primitivos. Assim, as defesas mais notáveis nesse grupo etário são: fuga; negação; projeção e somatização”.(Bellak & Bellak 1992, p.5). Ressalvamos o que foi verificado nas pesquisas psicossociais deste estudo: “a Negação” e o aumento do tempo de reação, para algumas dimensões pesquisadas nos processos aperceptivos. Estes desvios também sugerem os mecanismos de defesa que dificultam para esse idoso à (re) socialização. Portanto, a partir das discussões sobre as reações aperceptivas do idoso; tempo de reação e outras conotações que sugerem hipóteses de bloqueio a sua capacidade de autonomia e às condições cognitiva, para o aprendizado de novos valores, só serão possíveis quando este idoso se conscientizar da sua potencialidade às novas habilidades, fundamentando que não existe outro meio de (re)socialização, alem da sua própria disponibilidade pessoal em desvencilhar-se dos sentimentos subjetivos, que criam mecanismos deteriorantes nas análises que realizam sobre as suas possibilidades de inserção no mercado de trabalho. Tais considerações ampliam o reconhecimento destes idosos na sociedade, ao tratar da sua responsabilidade e dedicação, alem dos conteúdos registrados na sua experiência de vida, as quais tem forte significado no empreendedorismo através da aplicação de soluções de quem teve a oportunidade de conhecer e fazer algo para a sociedade.
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José Bernardo Enéias de Oliveira - Psicólogo, mestre em Gerontologia pela PUC-SP. É professor universitário e pesquisador do Núcleo de Estudo e Pesquisa do Envelhecimento (NEPE). E-mail: consultoresdb@terra.com.br
Elisabeh Frohlich Mercadante - Antropóloga, coordenadora e docente do Programa de Pós-Graduação em Gerontologia da PUC-SP e líder do NEPE. E-mail: elisabethmercadante@yahoo.com.br
[*] Comunicação apresentada no Congreso Iberoamericano de Ciencia, Tecnologia, Sociedade e Innovación (México D.F. 19 al 23 de junho de 2006). OEI- Organización de Estados Iberoaméricanos para la educación, la ciencia. AECI- Agencia Española de Cooperación Internacional. UNAM- Universidad Nacional Autônoma de México. A apresentação se deu na mesa “Década para una Educación para la sotenibilidad”. |
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