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Os caminhos da solidão






    
61% dos idosos que buscam psiquiatra têm depressão e ansiedade”, aponta o estudo realizado pelo Ambulatório Médico de Especialidades (AME) Psiquiatria da cidade de São Paulo. - por Redação Portal na categoria “Saúde-Doença” na categoria 'Saúde-Doença'

    Como explicar os danos causados pela solidão? Uma das respostas possíveis foi apontada no estudo realizado pelo Ambulatório Médico de Especialidades (AME) Psiquiatria da cidade de São Paulo. O resultado da pesquisa revelou que “61% dos idosos que vão até a unidade em busca de tratamento apresentam quadros de transtorno de ansiedade e depressão”, a maior parte dos casos é causada por sentimentos de solidão.

    Esse complexo estado de saúde pode ter diversas causas: a morte do cônjuge, de amigos, familiares, do medo de morrer e de dificuldades financeiras. Mas, e as causas silenciosas? Aquelas que conspiram ao longo da vida? Dessas, nada sabemos. Então, como muito pouco se sabe, não há como intervir preventivamente. E as pesquisas, pela própria dificuldade de acompanhamento num longo período de tempo da vida do indivíduo, fracassam pela falta de infraestrutura na condução do processo.

Atividades que ajudam

    Segundo informações do AME, “no ambulatório, os idosos em tratamento participam de atividades de terapia ocupacional, grupos de reabilitação cognitiva, grupos de contadores de histórias e atividades manuais, além do trabalho com os cuidadores dos pacientes, que possuem um alto risco de apresentar os mesmos problemas no futuro”.

    Gerardo Araújo, diretor do AME, afirma que “esse tipo de depressão causa um impacto negativo na qualidade de vida dos idosos. Ele diz que esse quadro tem consequências diretas, inclusive, na saúde dos pacientes e, por isso, o trabalho possui grande importância”.

Idosa vira notícia no Facebook

    Iniciamos essa matéria falando dos danos causados pela solidão. Mas por que ficamos sozinhos e solitários? Uma das piores constatações é o insuportável abandono do outro. Muitos de nós passam a vida sofrendo pelos amores que abandonam, simplesmente se retiram de nossas vidas. Mas, pensar que não resta mais nada, mais ninguém a quem recorrer, que nos escute e nos acolha, talvez seja demais, para qualquer ser humano.

    O drama de uma senhora do Rio de Janeiro é um exemplo desse quadro aterrador da mais completa solidão. O caso ganhou repercussão depois que uma foto dela foi divulgada no Facebook. Durante os seis meses que passou internada em um hospital, a mulher de 96 anos não recebeu nenhuma visita. Sem ter para onde ir, acabou transferida para um abrigo.

Solidão e o caminho do suicídio

    Com o objetivo de compreender a magnitude e a significância do suicídio na população brasileira acima de 60 anos, pesquisadores do Centro Latino-Americano de Estudos de Violência e Saúde Jorge Careli (Claves/ENSP), em parceria com pesquisadores de programas de pós-graduação e serviços de saúde de diversos estados brasileiros, desenvolveram a pesquisa “É possível prevenir a antecipação do fim? Suicídio de idosos no Brasil e possibilidades de atuação do setor saúde”.

    No I Seminário Nacional sobre Prevenção de Suicídio de Pessoas Idosas, realizado, de 29 a 31 de agosto, no Hotel Novo Mundo, no Rio de Janeiro foram discutidos temas como: “o acelerado envelhecimento da população brasileira, sobretudo da população acima de 75 anos; a magnitude, a localização e os fatores de risco para o suicídio de idosos; o resultado de um estudo qualitativo baseado nas chamadas autópsias psicossociais; a metodologia e os instrumentos empregados no estudo; a questão de gênero que tem grande peso na apresentação do fenômeno; as consequências do suicídio dos idosos em suas famílias; e as propostas de prevenção e recomendações para o setor saúde”.

    Cecília Minayo, coordenadora científica do Claves/ENSP, propôs uma reflexão sobre o tema considerado muito importante e presente em várias áreas disciplinares e diversos campos de atuação.

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